quarta-feira, Setembro 19, 2007

Intermodalidade: Bicicleta - Transportes Públicos



Para saber mais, ver Condições de Acesso das Bicicletas aos Transportes Públicos - Lisboa

Umas das características mais vantajosas da bicicleta, entre outras, é a sua versatilidade. Como tal, ela permite transportar e ser transportada. Em distâncias grandes, terrenos acidentados ou simplesmente quando não nos apetece pedalar, podemos complementar a viagem com outro meio de transporte - comboio, metropolitano, barco ou autocarro.

A intermodalidade bicicleta-transportes públicos está em crescendo, permitindo cada vez mais combinações e em horários cada vez mais alargados, embora haja ainda muito que fazer para atingir uma situação ideal. A tendência dos dias de hoje é favorável aos ciclistas, mas a rapidez com que estas mudanças ocorrem depende, em parte, da adesão da população às facilidades criadas. Por isso, antes de desanimarmos é importante exigir melhores condições.

Quando se opta por articular a viagem com outro meio de transporte temos duas opções: levar a bicicleta até ao destino ou deixá-la estacionada junto à estação de partida. Se optarmos pela segunda, é importante deixar a bicicleta num local seguro - visível e movimentado - que nem sempre corresponde ao local definido para o estacionamento de bicicletas. Por exemplo, na estação de Metro do Senhor Roubado, em Lisboa, já foi reportado um roubo de bicicleta, precisamente num local de estacionamento com pouca visibilidade.

Se optarmos por levar a bicicleta connosco até ao destino teremos que enfrentar várias restrições, dependendo dos operadores de transporte. Isto no caso da bicicleta ser de quadro rígido. Em alternativa podemos optar por uma bicicleta dobrável, que é equiparável a uma mala, e deixamos de estar limitados aos horários e preços cobrados para o transporte da bicicleta.

Os diferentes operadores definem para si as regras para o transporte de bicicletas, o que origina uma multiplicidade de condições, horários e preços, que dificultam a tarefa ao passageiro-ciclista. Para facilitar um pouco a escolha de quem pretende levar a bicicleta, deixamos aqui as condições em vigor de cada um dos operadores de Lisboa.



5 comentários:

kitty-san disse...

Essa bicicleta dobrável parece-me uma exelente opção, não conhecia, onde é que posso adquirir uma assim? E o preço, será simpático, ou nem por isso?

Ricardo Sobral disse...

A loja com maior variedade de bicicletas dobráveis em Lisboa chama-se W - Without Stress - Biclas.com ( http://www.biclas.com/ ) que fica na Baixa-Chiado, Largo de S. Julião,21.

O modelo que vês na foto é talvez dos mais caros, o preço ronda os 500€. Há modelos com rodas mais pequenas, que são mais baratos e fáceis de transportar.

Recomendo uma visita a esta loja, vale a pena ver a oferta que têm e o atendimento costuma ser bom.

kitty-san disse...

Ok, muito obrigada, vou fazê-lo.

Prof. Ricardo Rodrigues disse...

Ciclovia: Políticas Públicas em Transporte e Injustiça Social

Sinto muito, mas a bicicleta não é um meio de transporte. Sou engenheiro de transporte graduado com mestrado e doutorado e vejo os erros que estão sendo cometidos ao se considerar bicicleta como meio de transporte. E falo aqui como especialista com trabalhos públicos sobre transportes.

Vejam a pesquisa de origem/destino publicada no Estadão em 2009 que descreve bem os hábitos dos usuários de Transporte na RMSP.


Link para Pesquisa O/D na RMSP:


http://www.slideshare.net/ProfRicardoRodrigues/ciclovias-versus-transporte-pblico-na-baixada-santista-e-pesquisa-de-transporte-na-regio-metropolitana-de-so-paulo

A questão dos transportes, e dos transportes públicos, não é uma questão de preferência pessoal, mas sim uma relação direta de renda, salário e preço da tarifa. É dessa maneira que as pessoas fazem escolhas quanto a irem ao trabalho, ao cinema ou usarem o sistema de transporte quando precisam.


O uso de transporte à tração animal, tal como bicicleta, como um modal de transporte em larga escala é grave por que mostra que as pessoas de mais baixa renda estão fugindo da tarifa exorbitante do metrô e ônibus (veja a pesquisa O-D acima).


Por exemplo, aqui em Santos, cuja renda per capita é de US$ 12000,00 (ao ano), paga-se uma tarifa de R$ 3,65. Em Washington quando estudei lá em 1994 era de U$ 1,00. Voltei em 2007 e era de US$ 1,25. Só que eles tem renda per capita de acredite US$ 50.000,00 (ao ano). A tarifa de ônibus em Santos é simplesmente exorbitante, no entanto, como você pode ver no vídeo a prefeitura quebra o canteiro central das principais avenidas para construir ciclovias como alternativa a falta de investimentos públicos em transporte.

Conclusão, os pobres andam de bicicleta para fugir das altas tarifas e os ricos andam de automóvel por que não existe transporte público (veja o vídeo).


Portanto, a questão de ir a pé ou de bicicleta não é uma decisão pessoal, se bem que nada impede se alguém quiser de andar a pé ou de bicicleta. O problema é quando isso faz parte de políticas públicas de transportes, as quais, na verdade estão sacramentando um sistema injusto, onde os que menos podem pagam mais. (No meu vídeo vocês podem ver pessoas pobres andando de bicicleta de baixo de chuva, usando capa e guarda-chuva, engraçado? Se não fosse trágico...).

Link para YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=IhfBQa06ibk

O consumo de energia é sintoma de desenvolvimento social, por que mostra evolução de renda, de uso de novas tecnologias, de melhores empregos, etc. A volta à tração animal, (andar a pé ou de bicicleta que não por motivos recreacionais), é sintoma gravíssimo de mau gerenciamento dos transportes públicos por que o “poder público” não está investindo no setor ou as tarifas são exorbitantes, como no caso da cidade de Santos).

Conclusão, o uso das bicicletas é enganoso e está sendo usado por “marqueteiros políticos” para, agora, nas eleições municipais do próximo ano justificar o mau gerenciamento, ou a falta de investimentos públicos nos transportes por parte dos prefeitos que querem se reeleger ou eleger seus cupinchas.


Prof. Ricardo Rodrigues

Anónimo disse...

Sr. Professor, recomendo-lhe a fazer uma viagem à Europa, a países com um maior nível de desenvolvimento económico e social. Falo de países como a Alemanha, a Holanda ou a Dinamarca, onde se usa a bicicleta faça chuva ou faça sol. Talvez aí a sua opinião sobre a utilização da bicicleta como meio de transporte se altere.