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terça-feira, junho 02, 2009

Reclamação à CARRIS



A gerência do Bicicleta na Cidade recebeu há tempos um e-mail de uma ciclista a expor a sua situação: trata-se de uma utilizadora de bicicleta dobrável que, para evitar a subida acentuada num troço do seu percurso diário, utiliza uma das carreiras da Carris. Este post serve para dar a conhecer o caso desta ciclista que, suponho, não deve ser o único e tenderá a generalizar-se nos próximos tempos.

Uma vez que eu faço questão de publicitar as vantagens da intermodalidade bicicleta + transportes públicos e de divulgar as condições dos vários operadores em Lisboa, empenhei-me a escrever à Carris para obter um esclarecimento sobre as condições para o transporte de bicicletas dobráveis, algo que não está especificado pela empresa. Aqui segue um resumo da história e-mail por e-mail. Se não quiser ler tudo, salte a parte das citações e leia o resumo das conclusões no final.

A queixosa:

«Decidi comprar uma bicicleta pequena, que pesasse pouco, que se dobrasse, assim bem versátil. E consegui uma com apenas 10kg, roda 14, que se dobra toda e tem a possibilidade de ficar bastante pequena. Desta forma, poderia transporta-la nos transportes e ir até eles e até ao trabalho. Trabalho perto do Palácio Nacional da Ajuda e quer saindo na estação de Belém, quer saindo em Algés todos os caminhos são a subir... daí que me convém apanhar um autocarro e fazer um pouco de caminho de bicicleta.
Mas acontece que não conheço muito e gostava que me informassem sobre o transporte deste tipo de objectos nos autocarros públicos da carris. Dizem-me: " bicicletas aqui só aos fins de semana"; "não pode trazer aqui a bicicleta, se aparecer o fiscal a senhora é responsável"; "não pode trazer isso aqui, já viu aquilo ali? (e aponta para um letreiro que se encontrava por cima do lugar do motorista, que dizia que não era permitido transportar bagagens grandes). Quanto mais uma bicicleta!". Comentários deste género deixam-me bastante triste...e desanimada... Mas que hei-de eu fazer?
Não há coerência nos vários transportes. Na CP já não há qualquer tipo de problema e na CARRIS uns motoristas reclamam e outros não dizem nada.
(...) Quer dizer compro eu uma bicicleta bem pequenina para poder andar com ela nos transportes e vou ter que a arrumar como as outras?
Qual é a lei exactamente para o transporte destes veiculos nos transportes públicos?»

O pedido de esclarecimento à Carris:

«acabo de receber uma reclamação de uma cliente da Carris que teve alguns problemas com o transporte da sua bicicleta dobrável nos vossos autocarros. Como saberão, as bicicletas dobráveis, quando dobradas, ocupam o espaço equivalente a uma pequena mala de mão. No entanto, segundo a queixosa, as regras não são claras e estão sujeitas à interpretação dos condutores, permitindo-lhe o acesso nalgumas vezes e vedando-o noutras.
Deste modo, venho assim pedir o esclarecimento das regras da Carris para o transporte de bicicletas dobradas nos seus autocarros de forma a facilitar a escolha aos utentes que queiram fazer viagens partilhadas de bicicleta+autocarro, usufruindo das vantagens da intermodalidade nos transportes.


A resposta da Carris (pelo provedor do cliente):

«Encontra-se legalmente estabelecido (art.º 167º do Regulamento dos Transportes em Automóveis) que no transporte urbano a bagagem deve ser transportada nos lugares adequados e desde que, pelas suas dimensões e natureza, não incomode ou prejudique os outros passageiros ou danifique os veículos.

Assim, o transporte de bagagem de grande dimensão (do tipo volumes ou malas de viagem) não é compatível com a tipologia dos veículos urbanos da Carris e é susceptível de causar prejuízo ou incómodo aos restantes passageiros, nomeadamente no caso de veículos com ocupação significativa.

Assim, nos veículos da Carris apenas deverá ser transportada “bagagem de dimensão reduzida”, a qual deverá ser colocada preferencialmente nos locais a tal destinados (nos autocarros, normalmente sobre a roda da frente esquerda).

A título de referência, deve entender-se por “bagagem de dimensão reduzida” a que tiver as dimensões máximas de 55 x 40 x 20 cm.

A aplicação desta restrição de acesso é particularmente importante junto aos terminais de transporte pesado, particularmente no Aeroporto. Neste local, existem carreiras especialmente vocacionadas para o transporte de passageiros com bagagem: AeroBus (carreira 91) e AeroShuttle (carreira 96).

Esta restrição deverá ser aplicada com a conveniente flexibilidade, nomeadamente em caso de reduzida ocupação dos veículos em que não se verifique risco ou incómodo para os restantes passageiros.

Esta situação é decorrente de inúmeras reclamações de clientes que chegam por vezes a não ter possibilidades de ocupar lugares (bancos), ocupados com bagagem e pondo em causa a segurança de outros passageiros.

Relativamente ao transporte, como bagagem, de uma bicicleta dobrável será necessário perceber para além das características dimensionais que, segundo a informação, não ultrapassam as dimensões de uma pequena mala de mão, se existem outras características que possam pôr em causa a segurança e conforto dos restantes passageiros, tais como partes metálicas salientes.

Sendo objectivo dos condicionamentos ao transporte de bagagem a salvaguarda da segurança e conforto da generalidade dos passageiros, estão transmitidas aos nossos Tripulantes instruções no sentido de aplicarem estes condicionamentos com flexibilidade tendo em consideração a ocupação dos veículos.»

Já leu tudo? Se não, eu resumo: a Carris tem definidas as medidas máximas da bagagem que se pode transportar em qualquer situação (55 x 40 x 20 cm). Para todas as bagagens (e bicicletas) que ultrapassem estas medidas, a Carris deu instruções aos motoristas para serem flexíveis sempre que a ocupação do autocarro seja reduzida.

O problema para os ciclistas ávidos de intermodalidade com bicicletas dobráveis é que a excepção não faz a regra e não se pode contar com a benesse dos motoristas e da empresa numa base diária e muito menos num percurso casa-trabalho que exige horários apertados e pouca margem para "eventualidades".

Se eu fosse júri de um prémio de mobilidade em bicicleta para empresas de transporte teria este factor em conta para atribuir ou não um prémio (ei, espera lá...eu posso criar o meu próprio prémio mobilidade! E oferecer a minha simpatia e reconhecimento em troca). Não basta parecer que se é amigo das bicicletas; abrir uma excepção para as bicicletas dobráveis é sinónimo de ausência de uma política empresarial dedicada ao seu transporte.

Penso que todos os ciclistas compreendem as razões alegadas pela Carris no que respeita à segurança e falta de espaço e todos devemos concordar que a primazia deve ser dada ao transporte de passageiros e não de bagagens - primeiro as pessoas, depois os seus bens. No entanto, esta "flexibilidade" que pode parecer simpática (e é, mas não passa disso mesmo) cria uma espécie de limbo no qual os utentes não podem confiar, ninguém pode planear uma viagem com rigor em função dessa flexibilidade.

A solução, caso a Carris queira ser mais do que uma "entidade simpática" para os utilizadores de bicicleta (dobrável e não só), implicará criar regras claras e menos sujeitas às vicissitudes do dia-a-dia. E isso dá trabalho, ao contrário de abrir excepções quando os autocarros estão vazios, que é fácil. Já fizemos referência no Bicicleta na Cidade a uma solução que a Carris poderá adoptar, que facilita o transporte de bicicletas a qualquer hora - a instalação de suportes exteriores, como estes das imagens abaixo.









quinta-feira, setembro 25, 2008

Fotos dos leitores: a importância da bicicleta | até em dias de chuva




A Alice enviou-nos o seguinte texto:

"Tive num acaso pela net e agora mesmo, conhecimento das vossas iniciativas no uso e divulgação da bicicleta como meio de transporte, e que desde já os felicito.
E porque me diz respeito, gostaria aqui de deixar o meu testemunho e a salientar, o quanto sempre fui adepta do uso da bicicleta e porque vivo no centro da cidade de Lisboa, deixei mesmo de usar e de ter carro.
E relativamente à cidade de Lisboa, uso normalmente transportes, mas quando saio de Lisboa, em trabalho ou de férias, procuro nos sítios ou cidades onde fico, o usar ou alugar uma bicicleta para me deslocar. Poderia aqui dar variadíssimos exemplos, mas e se for de vosso interesse, lá iremos.
Quero com isto dizer e com enorme satisfação minha, que apoio as vossas iniciativas e que irei divulgá-las junto do meu blogue (http://alisenao.blogspot.com/), a colocar muito em breve, um post sobre o vosso blogue (http://bicicletanacidade.blogspot.com/) e a importância da bicicleta a todos os níveis.

Anexo 3 imagens num passeio de bicicleta com meus filhos em dia de chuva.

Os meus sinceros cumprimentos

Alice"

Por mais que tentássemos, não poderíamos ter encontrado um mote mais apropriado para dar as boas-vindas à época de chuva que se aproxima. Andar à chuva pode ser divertido e, tomadas as devidas precauções, não menos seguro do que pedalar ao sol. E eis que o e-mail da Alice vem confirmar tudo isso, dando ela própria e os seus filhos o exemplo. Evitem o aquaplaning, apostem no aquaflying!

Aproveitem para visitar o blogue da Alice do qual eu gostei muito.

Obrigado Alice e boas pedaladas!


sexta-feira, junho 27, 2008

Hugo e a sua Dahon Cadenza

O Hugo Jorge, "companheiro de pedaladas e activista pela promoção do uso da bicicleta e pelos direitos dos ciclistas" como já lhe chamaram no blogue da Cenas a Pedal, está de partida para bem longe de Lisboa. Há tempos tinha enviado para o Bicicleta na Cidade esta foto, uma das muitas com que colaborou neste blogue. No entanto, não encontrei momento mais oportuno do que este para finalmente publicá-la. A sua partida, espera-se, terá um "coro" de ciclistas que irá até ao Aeroporto de Lisboa após a Massa Crítica que se realiza hoje por todo o país e no próprio mundo! O cortejo prepara-se para seguir depois até à Fábrica do Braço de Prata onde às 20h30 começará o debate "Opções de transporte em Lisboa", organizado pela Plataforma de Discussão e Intervenção Ambiental.

Na foto vemos a Dahon Cadenza do Hugo, uma bicicleta que reúne a vantagem de ser dobrável sem ter o inconveniente da roda pequena, comum nestes modelos. Na contraluz da fotografia entrevemos o Hugo e o seu estilo urbano de usar a bicicleta, mesmo em zonas cuja paisagem mais fazem lembrar o campo. Também gostava de saber onde foi tirada a foto, Hugo! Fico à espera de uma resposta.

Boa viagem e um até já!


quarta-feira, maio 21, 2008

Bicicletas dos Leitores: Gonçalo e a sua GT Timberline

O Gonçalo fez chegar à nossa caixa do correio esta foto e o seguinte texto sobre a sua bicicleta:

"sempre gostei de bicicleta (em miúdo então), fazendo vários percursos em viagem de bicicleta pelo país. Passei para a motas e agora estou a recuperar este velho gosto. Quero evoluir e passar a utilizar a bicicleta no dia-a-dia.
Vou às compras, levar e buscar o filho à escola, só falta mesmo ir todos os dias para o trabalho de bicicleta (ainda sao 12kms para cada lado e chego suado!!).
Chega de conversa e cá vai a foto da minha GT Timberline de 1994. Com cadeira de bebé no porta-bagagens. Estou a fazer um acrescento deste para poder colocar os alforges com a cadeira colocada (tipo xtracycle) e estou a inventar um porta-bicicleta do puto!!

Nesta foto, íamos carregados. Para além do saco com compras, o gugas levava o pão e o farnel da escola e nas traseiras da sua cadeirinha ia a roda da frente da sua pequena bicicleta que tinha estado a desempenar na oficina!! eheh duvidas do poder de transporte de uma bicicleta???

abraço e continuação de bom trabalho!"

Não duvido do poder de transporte de uma bicicleta, sobretudo quando é posto em prática com tanto entusiasmo como o que o Gonçalo nos revela. Sobre o tipo xtracycle de que fala, vale a pena ver o site oficial e outros dois, um português e outro que não mas está cheio de fotos com exemplos.

Obrigado Gonçalo pelo testemunho e boa sorte no regresso ao mundo das duas rodas de propulsão humana!


terça-feira, maio 06, 2008

Bicicletas dos Leitores: Fernando e a sua Ciclone Club Run

Inspirado num blogue irmão, o Copenhagenize.com, inicia-se aqui a nova rubrica dedicada às Bicicletas dos Leitores. Um espaço que pretende servir como montra dos mais diversos gostos, estilos, preferências, hábitos, etc. No fundo, este espaço será apenas aquilo que os contributos dos leitores deste blogue fizerem dele, e nada mais.

Usem-no para divulgar as vossas preferências, revelar soluções brilhantes e inovadoras que vos permitam, sei lá, transportar um barril de cerveja. Sirvam-se dele para exibir as vossas máquinas, ao estilo mais tunning ou mais clássico, se forem vaidosos. Podem até querer imortalizá-la neste blogue e com isso evitar futuros roubos (o que eu duvido...), mas usem-no. É vosso!
Começamos com a bicicleta do Fernando, que enviou o seguinte texto sobre a sua nova bicicleta:

"Nascida a 7 de Março de 2008; nome de baptismo: Ciclone club run

Espectacular! Rola que é uma maravilha! Uma verdadeira devoradora de asfalto com habilitações urbanas."

Entretanto acrescentei-lhe os guarda-lamas (com uma pala à frente para proteger dos salpicos em couro e tudo) e dei uma voltinha de 96 Km para os experimentar. Mando-te uma foto da paragem em Xira; não é a minha favorita (o prémio vai para 09_Club Run Boca do Inferno exequo com 13_Club Run Belém_mix) mas é a versão final da Club Run."Outra coisa - o próprio nome Club Run tem uma justificação curiosa (...). Na Inglaterra do pós-Guerra a bicicleta era o meio de transporte por excelência da classe operária. Esses commuters estavam geralmente associados em cycling clubs que ao fim-de-semana organizavam corridas e passeios de bicicleta (v.p.ex. http://www.tweed.cc/index.html e http://www.youtube.com/watch?v=qyz5d3entBw e http://www.youtube.com/watch?v=WGYngjxJP1I); a manhã era reservada às corridas (club runs) e à tarde passeava-se (v.também http://davesbikeblog.blogspot.com/2007/11/british-club-run.html). Junta-se assim o útil ao agradável - a utilização diária e utilização a recreativa da bicicleta. É esse o espírito que o nome da menina - Ciclone Club Run - pretende cristalizar."