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segunda-feira, setembro 28, 2015

Transtejo - suspender serviços de transporte implica criar alternativas

Sempre que se suprime uma ligação ou transporte é necessário oferecer soluções alternativas, excepto quando se trata de bicicletas.


A supressão do serviço de transporte de bicicletas nas ligações fluviais de Lisboa ao Seixal, Montijo e Cacilhas foi anunciada pela Transportes de Lisboa, um dia depois da Semana Europeia da Mobilidade, mas não chegou a sair do papel. O que ficou deste episódio, além da ausência de uma explicação clara por parte da empresa, foi a ideia de que a mobilidade ciclável, ao contrário de outras, dispensa a criação de alternativas quando as ligações existentes são afectadas.

Interior de um dos navios que seriam afectados pela medida

Pensemos numa estrada que foi cortada para conclusão de obras. Os sinais de "desvio" são colocados juntamente com indicações para chegar aos destinos afectados pelos trabalhos na via.

Seja por motivo de greve ou por decisão de uma administração, a supressão de ligações ferroviárias de transporte de passageiros obriga, por lei mas também por bom senso, a que sejam disponibilizados serviços mínimos e transportes alternativos, geralmente autocarros.

Quando uma carreira de autocarro é eliminada, outras passam a compensar no seu percurso as zonas afectadas por essa perda.

A própria Transtejo anunciou em Julho que, "devido a trabalhos num pontão do Terminal do Terreiro do Paço", desviou temporariamente para o Cais do Sodré a ligação fluvial do Montijo, o que pode ser um transtorno para alguns mas seguramente melhor do que suspendê-la totalmente.

As alternativas poderão ser insuficientes, diminuindo até a qualidade do serviço prestado. Podemos, enquanto utentes, discordar das condições oferecidas em caso de afectação do transporte a que estamos habituados e em torno do qual organizámos a nossa rotina diária nas deslocações que precisamos de fazer - ir para o trabalho, às compras, buscar os filhos à escola, etc.

Por piores que sejam as soluções criadas para compensar uma alteração a um serviço de transporte, elas existem e dificilmente aceitaríamos que assim não fosse.

Então porque é que a Transportes de Lisboa anunciou esta restrição sem oferecer quaisquer alternativas aos ciclistas?

Na ligação Terreiro do Paço - Barreiro alguns navios dispõem de suportes

Quando se oferece um serviço regular de transporte de bicicletas, como a Transtejo faz há vários anos, a empresa cria não só uma expectativa em potenciais interessados de ocasião como, mais importante, consegue angariar clientes regulares que passam a depender dele. Pessoas que decidiram ir de bicicleta para o trabalho abdicando do carro que entretanto venderam, que mudaram de casa para poupar na renda ou que aceitaram um trabalho contando com a possibilidade de transportar a bicicleta no barco, usando-a para fazer o resto do percurso em cada uma das margens do rio.

Estas pessoas precisam de alternativas, mesmo que sejam piores. Uma alternativa bem pensada e aplicada minimiza o transtorno e o número de utentes afectados. Como exemplo, a empresa poderia oferecer estacionamento seguro para bicicletas nos terminais, permitindo aos ciclistas deixarem os seus veículos pernoitar na margem do rio que mais lhes conviesse. Dessa forma alguns utentes ficariam apenas "meio" afectados.

Será interessante assistir no futuro a situações semelhantes e perceber se, e como, as bicicletas serão tidas em conta sempre que houver alterações de serviço nos transportes públicos ou nas vias de trânsito. A lição que podemos aprender com este anúncio e recuo da Transportes de Lisboa é que não se pode suspender um serviço sem oferecer pelo menos uma alternativa.



quinta-feira, novembro 22, 2012

Devolvam o trabalho às agências de marketing, senão é nisto que dá

O que leva uma agência de marketing, aliás, uma agência de activação de marca, a lançar uma campanha intitulada “Devolvam a bicicleta ao Chinês”? O que à primeira vista parece ser uma iniciativa carregada de sentimentos altruístas, esconde uma verdade menos santa.

Fui levado pela curiosidade a espreitar a página criada no Facebook, com o mesmo nome da campanha, para perceber quem era o tal chinês, porque é que ele era importante e porque queriam devolver-lhe a bicicleta. Maior foi a minha curiosidade pelo facto de ouvir falar desta campanha através de pessoas que pouco ou nada estão ligadas ao meio das bicicletas, pessoas tão insuspeitas que o próprio conhecimento desta campanha levantava, sozinho, algumas suspeitas sobre as reais motivações da mesma. Já se sabe que as bicicletas estão na moda, mas deverá isso servir como justificação para tudo?

A tal página do Facebook revelou-me logo que nada disto existiria, campanha e fins altruístas, se o ciclista Eric Feng não fosse de nacionalidade chinesa. Eric Feng, nome que não revela tão facilmente o país de origem como outros substantivos chineses, percorreu 18 mil quilómetros de bicicleta entre o seu país e Portugal, com o objectivo de celebrar a memória de dois exploradores marítimos da história de cada um destes países e promover as energias não poluentes. À passagem por Sines roubaram-lhe o veículo, mas quem empreende uma aventura destas sabe, ou devia sabê-lo, que essa é uma possibilidade presente ao longo de todo o caminho. No entanto, talvez por maior desleixe ou relaxe associados à ideia de que estamos quase a chegar ao destino final, o que para uma mente cansada depois de tanto tempo passado entre destinos é um forte convite a “baixar a guarda” de vigilância constante, este incidente ocorreu só depois de Eric cumprir uma das metas a que se propôs – chegar à terra-natal de Vasco da Gama – e a insignificantes quilómetros do fim.

A campanha foi lançada no dia em que saiu a primeira notícia sobre a aventura de Feng na imprensa portuguesa, que foi também o dia em que o ciclista regressou de avião ao seu país. A página do Facebook está pejada de referências “ao chinês” e notas satíricas de erros fonéticos, a troca dos erres pelos eles, e trocadilhos com palavras chinesas que em português adquirem outro significado. Percebe-se assim que existe um argumento oculto poderoso por detrás da campanha, capaz de activar reacções no senso comum. A tal agência de activação de marca, responsável pela acção, estava com isto a activar motivos de cariz xenófobo que associamos à “marca” chinês. É um duro golpe de marketing, extremamente eficaz mas tremendamente errado na sua génese. Se o ciclista fosse, digamos, iraniano, não iria soar tão poderoso porque há menos referências culturais e as que temos poderiam levantar alguns problemas. “O chinês” tem uma inocência benévola acoplada, talvez fruto de mais anos de convivência com esse “outro” que, não obstante, serve para alimentar discursos de identidade cultural muitas vezes focados no binómio superior-inferior.

A história de Feng continuou com o apoio de um grupo de cicloturistas de Almada, que lhe deram guarida, emprestaram uma bicicleta e acompanharam-no até ao destino final – o Cabo da Roca. A solidariedade ciclista e a vontade de pedalar juntos nada têm que ver com a campanha que a tal agência criou, com o objectivo de enviar uma nova bicicleta e todo o tipo de folclore português para mostrar a Feng que somos, enquanto povo, uns gajos porreiros e não uma bandidagem organizada. A verdade é que se roubam bicicletas em todo o mundo, se este país fosse excepção é porque haveria algo de muito errado, ou muito certo, com as pessoas que o habitam.

De resto, quando a campanha conseguir devolver uma bicicleta a Feng, a probabilidade de que ela tenha saído inicialmente de uma fábrica na China, atracado num porto português e devolvida ao seu país de origem, é enorme. A bicicleta terá feito duas viagens iguais à de Feng com custos ambientais consideravelmente maiores, algo que o ciclista quis evitar na sua travessia.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Jornal Pedal - o novo periódico gratuito

Mais um projecto a ganhar vida! Este não ficou anos a estagiar em nenhuma gaveta. O Jornal Pedal é uma publicação gratuita cujos custos são assegurados pela publicidade. Para o primeiro número, lançado a semana passada, contribuíram com textos de opinião várias pessoas do universo ciclista lisboeta, entre as quais esta pessoa que está aqui a pressionar no teclado.

O jornal fala por si, eu sou um apreciador da sua qualidade e potencial, por isso escuso-me a fazer grandes comentários. Leiam-no em papel ou na versão online, aqui embutida mais abaixo. Criem a vossa opinião e partilhem-na! O Jornal Pedal só terá a ganhar com isso.

Um dos aspectos que ainda assim quero realçar é a sua orientação editorial. O Jornal Pedal não é apenas um jornal da comunidade para si própria, é feito pela comunidade para o mundo e tem como objectivo apelar ao público que ainda não usa a bicicleta como meio de transporte urbano. Esta orientação é em tudo convergente com a postura deste blogue desde a sua criação, pelo que só posso tecer-lhe elogios. É importante mostrar ao mundo como se faz, sem altivez nem arrogâncias de sermos, nós os ciclistas urbanos, donos e senhores da razão e da moral por escolhermos aquilo que nos parece ser uma forma superior de mobilidade e de inteligência (ups!... lá está, a arrogância à espreita).

quarta-feira, outubro 26, 2011

Agenda ciclista para o Outono/Inverno 2011-2012

Esta semana marca definitivamente o início da época de chuva. Os ciclistas de Lisboa não têm razões de queixa este ano dado o atraso significativo com que chegou o mau tempo, olhando para os padrões locais. Mas há várias razões para continuar a pedalar durante este Outono/Inverno!
Imagens como esta, até para o ano...

Já não é novidade para ninguém que, de ano para ano, o número de ciclistas em Lisboa vem aumentando. Tem sido assim ao longo da última década, pelo menos. Mas este facto não tira relevo algum aos sucessivos recordes que se bateram nesta Primavera/Verão de 2011, entre os quais se destaca a maior Massa Crítica de sempre realizada em Lisboa, com mais de 400 participantes. No dia-a-dia, só quem andou muito distraído poderá não se ter dado conta do incrível número de ciclistas a circular pela cidade, a todas as horas. Por mais que assistamos a um progressivo aumento de bicicletas em Lisboa todos os anos e que isso já não seja nada de novo, a verdade é que 2011 marcou provavelmente o início do boom que transformará esta cidade por completo. Não me lembro de assistir a um salto quantitativo tão grande como o deste ano.

Os novos colectivos e lojas que surgiram nos últimos meses dão expressão a esse aumento de ciclistas e à euforia que se vive em torno da bicicleta. Destaques para a Matilha Cycle Crew, que a par da estética apurada que aplica em tudo quanto faz, realizou um (primeiro) cycle brunch e uma Alleycat Race com direito à estreia exclusiva do documentário Fixation em Portugal. Esta Matilha tem vontade de mudar o mundo (palavras minhas, não deles) que se pode ver pela vontade de fazer acontecer coisas, várias, mas coisas com impacto e passíveis de motivar toda a gente à sua volta. Daí o nome Matilha ser, até agora, uma excelente e apropriada escolha.

Ao nível do bike business, a Primavera/Verão que agora acaba viu nascer mais uma loja, online por enquanto, que é fruto do trabalho de alguém que começou a andar de bicicleta em Lisboa e entusiasmou-se tanto que acabou por criar a Roda Gira. Histórias como estas tocam-me muito especialmente. Aos ciclistas, que também são consumidores, o meu conselho é: confiem sempre em alguém que 1º) começou a andar de bicicleta; 2º) entusiasmou-se; 3º) decidiu fazer algo com esse entusiasmo que servisse também os outros. Ninguém terá mais vontade de vos servir bem, enquanto clientes, que pessoas realmente envolvidas e implicadas na cena ciclista urbana. Se procuram bicicletas single-speed e fixed gear, a partir de agora podem contar também com a Roda Gira.

Gostava de poder falar mais sobre um outro novo espaço, o Rent a Fun situado entre os Bacalhoeiros e o Jardim do Tabaco. Ainda não o visitei mas há muita gente a gostar deles no Facebook. Alugam bicicletas eléctricas e têm serviço de oficina.

Finalmente, a Cenas a Pedal passou a ter um espaço em metros quadrados e não apenas Gigabytes! Fica na Avenida Álvares Cabral nº 38, onde também passaram a organizar nos últimos sábados de cada mês a Feira de Bicicletas Maduras, basicamente o primeiro mercado de rua em Lisboa dedicado à compra, venda e troca de material de bicicletas. Mais recentemente, começaram a ter sessões de cinema a seguir à feira, o Bicinema.

Para último deixei a Cicloficina dos Anjos porque merece o destaque da conclusão. A funcionar desde Março no espaço do RDA, esta Cicloficina inovou desde logo por tornar semanal o que até então se fazia em Lisboa apenas uma vez por mês e conseguiu com isso criar uma dinâmica nunca antes vista. Este é, sem dúvida, o espaço de encontro semanal da comunidade ciclista lisboeta. A colaboração com o RDA permite que haja cerveja, vinho e jantares vegetarianos a acompanhar o que se vai fazendo na oficina. Fazia falta um local de convívio assim e pessoas disponíveis para o dinamizar. A elas, especialmente, o meu obrigado.

Fica aqui um pequeno resumo de outras novidades e actividades já agendadas para este Outono/Inverno:

- The Pumpkin Ride - Alleycat race, 2ª feira 31 de Outubro no Cais do Sodré, organizada pela Matilha Cycle Crew.

- Bike Polo no ringue de patinagem do jardim do Campo Grande, todas as quartas-feiras à noite.

- Fertagus passa a permitir o transporte de bicicletas a qualquer hora, em qualquer sentido.

- Nova revista! B - Cultura da Bicicleta, nas bancas dia 2 de Dezembro.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Bicycle Film Festival Lisboa - já começou!



Começou ontem, quarta-feira dia 09/09/09 a primeira edição do Bicycle Film Festival Lisboa. A "celebração da bicicleta pelo cinema, artes e música" arrancou com a festa de abertura em Alcântara, no By Me. Nos próximos dias Lisboa será uma montra da cultura da bicicleta feita em todo o mundo e dará também o seu contributo local para esse universo. É uma relação recíproca e uma oportunidade para a troca de experiências entre várias cidades.

Lisboa vive desde esta década um crescendo histórico no que toca à utilização da bicicleta em meio urbano e à diversificação dos seus usos - seja em lazer ou como meio de transporte. Esse crescimento encontra par em várias cidades e países do mundo inteiro, locais que tradicionalmente não são conhecidos pela cultura da bicicleta mas que têm vindo a adquirir e a reclamar esse estatuto. Paris, Nova Iorque, Londres, Barcelona são apenas alguns exemplos.

O que torna o aumento global do uso da bicicleta um dos fenómenos mais fascinantes da actualidade é a simultâneidade, diversidade e interconectividade com que acontece. A experiência ganha num determinado local é rapidamente disseminada e assimilada em todo o mundo - é disso exemplo o sistema de bicicletas públicas de Paris (Vélib) que contribuiu para um grande impulso nesse segmento. Lisboa não está excluída deste processo universal e a realização do BFF aqui prova-o. A nossa cidade está no mapa!

Existe uma especificidade lisboeta. Ela forma-se a partir dos investimentos que várias entidades públicas e privadas têm feito para promover o uso da bicicleta e, sobretudo, através da forma como os "novos ciclistas" e toda a população lida com, e reage à presença inequívoca das bicicletas nas ruas. Esta cidade tem uma história para partilhar com o mundo: nós sabemos como tornar Lisboa numa cidade mais ciclável. Essa aprendizagem serve de exemplo para todos. Não querendo descurar o facto de ainda estar muito por fazer, gostava de realçar hoje o trabalho que já foi feito e que vai continuar a transformar a cidade de Lisboa e a forma como vivemos nela.

O Bicicleta na Cidade está metido no festival dos pés à cabeça. Consultem o programa no site http://www.bicyclefilmfestival.com/, apareçam e divirtam-se!


terça-feira, junho 02, 2009

Reclamação à CARRIS



A gerência do Bicicleta na Cidade recebeu há tempos um e-mail de uma ciclista a expor a sua situação: trata-se de uma utilizadora de bicicleta dobrável que, para evitar a subida acentuada num troço do seu percurso diário, utiliza uma das carreiras da Carris. Este post serve para dar a conhecer o caso desta ciclista que, suponho, não deve ser o único e tenderá a generalizar-se nos próximos tempos.

Uma vez que eu faço questão de publicitar as vantagens da intermodalidade bicicleta + transportes públicos e de divulgar as condições dos vários operadores em Lisboa, empenhei-me a escrever à Carris para obter um esclarecimento sobre as condições para o transporte de bicicletas dobráveis, algo que não está especificado pela empresa. Aqui segue um resumo da história e-mail por e-mail. Se não quiser ler tudo, salte a parte das citações e leia o resumo das conclusões no final.

A queixosa:

«Decidi comprar uma bicicleta pequena, que pesasse pouco, que se dobrasse, assim bem versátil. E consegui uma com apenas 10kg, roda 14, que se dobra toda e tem a possibilidade de ficar bastante pequena. Desta forma, poderia transporta-la nos transportes e ir até eles e até ao trabalho. Trabalho perto do Palácio Nacional da Ajuda e quer saindo na estação de Belém, quer saindo em Algés todos os caminhos são a subir... daí que me convém apanhar um autocarro e fazer um pouco de caminho de bicicleta.
Mas acontece que não conheço muito e gostava que me informassem sobre o transporte deste tipo de objectos nos autocarros públicos da carris. Dizem-me: " bicicletas aqui só aos fins de semana"; "não pode trazer aqui a bicicleta, se aparecer o fiscal a senhora é responsável"; "não pode trazer isso aqui, já viu aquilo ali? (e aponta para um letreiro que se encontrava por cima do lugar do motorista, que dizia que não era permitido transportar bagagens grandes). Quanto mais uma bicicleta!". Comentários deste género deixam-me bastante triste...e desanimada... Mas que hei-de eu fazer?
Não há coerência nos vários transportes. Na CP já não há qualquer tipo de problema e na CARRIS uns motoristas reclamam e outros não dizem nada.
(...) Quer dizer compro eu uma bicicleta bem pequenina para poder andar com ela nos transportes e vou ter que a arrumar como as outras?
Qual é a lei exactamente para o transporte destes veiculos nos transportes públicos?»

O pedido de esclarecimento à Carris:

«acabo de receber uma reclamação de uma cliente da Carris que teve alguns problemas com o transporte da sua bicicleta dobrável nos vossos autocarros. Como saberão, as bicicletas dobráveis, quando dobradas, ocupam o espaço equivalente a uma pequena mala de mão. No entanto, segundo a queixosa, as regras não são claras e estão sujeitas à interpretação dos condutores, permitindo-lhe o acesso nalgumas vezes e vedando-o noutras.
Deste modo, venho assim pedir o esclarecimento das regras da Carris para o transporte de bicicletas dobradas nos seus autocarros de forma a facilitar a escolha aos utentes que queiram fazer viagens partilhadas de bicicleta+autocarro, usufruindo das vantagens da intermodalidade nos transportes.


A resposta da Carris (pelo provedor do cliente):

«Encontra-se legalmente estabelecido (art.º 167º do Regulamento dos Transportes em Automóveis) que no transporte urbano a bagagem deve ser transportada nos lugares adequados e desde que, pelas suas dimensões e natureza, não incomode ou prejudique os outros passageiros ou danifique os veículos.

Assim, o transporte de bagagem de grande dimensão (do tipo volumes ou malas de viagem) não é compatível com a tipologia dos veículos urbanos da Carris e é susceptível de causar prejuízo ou incómodo aos restantes passageiros, nomeadamente no caso de veículos com ocupação significativa.

Assim, nos veículos da Carris apenas deverá ser transportada “bagagem de dimensão reduzida”, a qual deverá ser colocada preferencialmente nos locais a tal destinados (nos autocarros, normalmente sobre a roda da frente esquerda).

A título de referência, deve entender-se por “bagagem de dimensão reduzida” a que tiver as dimensões máximas de 55 x 40 x 20 cm.

A aplicação desta restrição de acesso é particularmente importante junto aos terminais de transporte pesado, particularmente no Aeroporto. Neste local, existem carreiras especialmente vocacionadas para o transporte de passageiros com bagagem: AeroBus (carreira 91) e AeroShuttle (carreira 96).

Esta restrição deverá ser aplicada com a conveniente flexibilidade, nomeadamente em caso de reduzida ocupação dos veículos em que não se verifique risco ou incómodo para os restantes passageiros.

Esta situação é decorrente de inúmeras reclamações de clientes que chegam por vezes a não ter possibilidades de ocupar lugares (bancos), ocupados com bagagem e pondo em causa a segurança de outros passageiros.

Relativamente ao transporte, como bagagem, de uma bicicleta dobrável será necessário perceber para além das características dimensionais que, segundo a informação, não ultrapassam as dimensões de uma pequena mala de mão, se existem outras características que possam pôr em causa a segurança e conforto dos restantes passageiros, tais como partes metálicas salientes.

Sendo objectivo dos condicionamentos ao transporte de bagagem a salvaguarda da segurança e conforto da generalidade dos passageiros, estão transmitidas aos nossos Tripulantes instruções no sentido de aplicarem estes condicionamentos com flexibilidade tendo em consideração a ocupação dos veículos.»

Já leu tudo? Se não, eu resumo: a Carris tem definidas as medidas máximas da bagagem que se pode transportar em qualquer situação (55 x 40 x 20 cm). Para todas as bagagens (e bicicletas) que ultrapassem estas medidas, a Carris deu instruções aos motoristas para serem flexíveis sempre que a ocupação do autocarro seja reduzida.

O problema para os ciclistas ávidos de intermodalidade com bicicletas dobráveis é que a excepção não faz a regra e não se pode contar com a benesse dos motoristas e da empresa numa base diária e muito menos num percurso casa-trabalho que exige horários apertados e pouca margem para "eventualidades".

Se eu fosse júri de um prémio de mobilidade em bicicleta para empresas de transporte teria este factor em conta para atribuir ou não um prémio (ei, espera lá...eu posso criar o meu próprio prémio mobilidade! E oferecer a minha simpatia e reconhecimento em troca). Não basta parecer que se é amigo das bicicletas; abrir uma excepção para as bicicletas dobráveis é sinónimo de ausência de uma política empresarial dedicada ao seu transporte.

Penso que todos os ciclistas compreendem as razões alegadas pela Carris no que respeita à segurança e falta de espaço e todos devemos concordar que a primazia deve ser dada ao transporte de passageiros e não de bagagens - primeiro as pessoas, depois os seus bens. No entanto, esta "flexibilidade" que pode parecer simpática (e é, mas não passa disso mesmo) cria uma espécie de limbo no qual os utentes não podem confiar, ninguém pode planear uma viagem com rigor em função dessa flexibilidade.

A solução, caso a Carris queira ser mais do que uma "entidade simpática" para os utilizadores de bicicleta (dobrável e não só), implicará criar regras claras e menos sujeitas às vicissitudes do dia-a-dia. E isso dá trabalho, ao contrário de abrir excepções quando os autocarros estão vazios, que é fácil. Já fizemos referência no Bicicleta na Cidade a uma solução que a Carris poderá adoptar, que facilita o transporte de bicicletas a qualquer hora - a instalação de suportes exteriores, como estes das imagens abaixo.









sábado, maio 09, 2009

Retro anos 90



Rua Braamcamp

Eis o meu palpite: existe por aí muita bicicleta comprada nos anos 90 que foi remetida para um canto da arrecadação, ou outro lugar menos digno, e que agora começam a ser reabilitadas por muitos dos seus compradores de então ou amigos e familiares que entretanto se apoderaram delas. Isto, claro, com base no que vejo pela cidade nos dias mais recentes - várias pessoas a usar essas bicicletas de montanha com quadros de aço, mudanças de fricção (daquelas que mudam ao sabor do suave desvio do manípulo em vez do mais moderno clique dos sistemas indexados) e travões cantilever.

Foi com uma bicicleta em tudo igual às suas contemporâneas que comecei a fazer as minhas primeiras viagens urbanas, dentro e fora do subúrbio onde vivia. Era uma "Alpestar", que convivia com nomes sonantes à época tais como "Esmaltina" e "IBA", só para referir dois de uma extensa lista. A minha Alpestar azul custara nova 20 contos (100 Euros) e fez-me poupar muitos mais em transportes. Foi ela a minha salvação quando os meus amigos começaram a ter mota, proporcionando-me a alternativa mais rápida para os acompanhar nos seus ruidosos motores de 50 centímetros cúbicos. Hoje agradeço aos meus pais o privilégio de não me terem cortado esse prazer ao proibirem-me de ter uma mota, decisão que na altura me custava muito aceitar.

A minha Alpestar azul ainda existe e permanece na posse da família. O quadro tornou-se pequeno demais para o meu tamanho mas continuo a recomendá-la para circular na cidade. De resto, a década de 1990 foi marcada pela generalização do uso das bicicletas de montanha, que haviam sido inventadas no final dos anos 70, tanto nos modelos menos sofisticados e mais baratos, dedicados ao passeio, como no crescimento da modalidade desportiva que lhes está associada.

Em certa medida, as bicicletas de montanha representaram uma libertação dos constrangimentos inerentes aos modelos de estrada, de ciclocross, às pasteleiras e às BMX, que existiam até então, introduzindo algo novo no campo de possibilidades - uma bicicleta mais robusta, leve e apta para todo-o-terreno. Passados vários anos, vivemos hoje sob um paradigma quase contrário; as bicicletas de montanha dominam na maioria das lojas dedicadas, ofuscando e limitando a oferta de outros modelos a um ou dois exemplares de cada. Mas a situação já foi mais grave e parece começar a inverter-se à medida que cresce a procura por modelos mais citadinos.

Nada disto, porém, afecta o carisma dessas primeiras bicicletas de montanha "tão anos 90". Até porque, quando comparadas com as mais modernas de alumínio, várias suspensões, travões de disco e outros apetrechos, é a sua simplicidade que se sobrepõe aos excessos da ânsia tecnológica.


quarta-feira, abril 08, 2009

BnC na Time Out Lisboa



Na passada quarta-feira dia 1 de Abril, saiu na Time Out Lisboa a reportagem sobre o Bicicleta na Cidade! Pessoalmente gostei muito do resultado final da entrevista que dei à Ângela Marques e dou-lhe os meus parabéns pelo texto conciso que escreveu, conseguindo incluir uma grande quantidade de informação em poucas linhas. Bom trabalho!




terça-feira, março 31, 2009

Um pedido de desculpas



A gerência recebeu uma reclamação sobre o texto que acompanha uma das minhas fotos preferidas no Bicicleta na Cidade:



A queixosa é precisamente a ciclista da imagem e não queria deixar passar em branco o sucedido, aproveitando a oportunidade para lhe pedir desculpas públicas e republicar a foto. À parte o tom irónico subjacente ao dito texto, de facto, como alguém escreveu nos comentários desse post, "essa bicicleta é mesmo fantástica, modas à parte, que isso também não interessa para nada..."


sábado, março 14, 2009

À sexta-feira, o Marquês de Pombal (e arredores) é das pessoas


Assim foi ontem, sexta-feira 13 de Março, graças à manifestação dos trabalhadores organizada pela CGTP. Um aviso prévio ao leitor incauto: isto não é o relato de um manifestante mas antes de um ciclista que ontem precisou de atravessar a cidade, passando por zonas que foram cortadas à circulação viária, e contou com a inesperada colaboração dos agentes policiais.

As motivações que levaram à dita manifestação e as alterações que esta e todas as outras provocam no trânsito não interessam para o caso. Prefiro dar a conhecer um outro lado visto a partir de uma bicicleta.

Logo no primeiro de três contactos com barreiras policiais, foi-me dito pelo agente que se tratava de uma manifestação (sim é verdade, eu não sabia que ia haver uma...) que se deslocava para a Avenida da Liberdade: "pode seguir com cuidado". A mesma ordem foi-me transmitida nas duas paragens seguintes: "de bicicleta pode seguir, tenha cuidado".

Fiquei a saber desta forma que, independentemente de haver alguma regra escrita que o autorize ou proíba, os agentes da polícia podem ser flexíveis à passagem de bicicletas pelas zonas cortadas ao restante tráfego. Aproveitem!


Eu quero uma avenida só para mim

terça-feira, setembro 23, 2008

Semana Europeia da Mobilidade 08 - o balanço



Para fugir à euforia, por vezes desmedida, do anunciar de novas medidas de promoção ao uso da bicicleta na cidade, aqui no Bicicleta na Cidade decidi fazer um balanço a frio em vez de engendrar pelo mesmo caminho que os meios de comunicação generalistas, já que para nós a bicicleta é notícia o ano inteiro e não se resume a uma semana de Setembro - a da Mobilidade. As novidades para esta estação Outono-Inverno são várias, embora algumas só estejam disponíveis a partir da próxima Primavera-Verão.

Intermodalidade - veja todas as novidades em Condições de Acesso das Bicicletas aos Transportes Públicos - Lisboa

A CP, Comboios de Portugal, aboliu as restrições horárias nos comboios urbanos e criou carruagens identificadas para transportar as bicicletas. O Metro de Lisboa adicionou meia hora ao horário em que permite o transporte de bicicletas, sendo este agora a partir das 20h00 e até final da exploração, à 1h00. Nos barcos, a Transtejo e Soflusa aumentou a lotação permitida para 15 bicicletas na ligação Trafaria - Porto Brandão - Belém.

Na Carris não há novidades oficiais, embora tenha sido avançado por alguma comunicação social durante a Semana Europeia da Mobilidade que o serviço de transporte de bicicletas vai ser alargado a novas carreiras. Até agora ainda não apareceu informação no site da empresa a anunciar as novas condições.

Projectos da Câmara Municipal de Lisboa - ver mais aqui

A Câmara de Lisboa apresentou 3 grandes projectos para melhorar a mobilidade em bicicleta: uma rede de pistas cicláveis, uma rede de estacionamento para bicicletas na cidade e uma Rede de Bicicletas de Uso Partilhado, complementar à Rede de Transportes Públicos de Lisboa. A implementação de cada um destes projectos já começou e prolongar-se-á até final de 2009, sendo que a Rede de Bicicletas de Uso Partilhado tem inauguração prevista para Junho do próximo ano. Foi também anunciado que a Câmara Municipal de Lisboa vai oferecer aos seus munícipes cursos para aprender a circular de bicicleta em meio urbano, com o objectivo de aumentar os níveis de confiança na utilização deste meio de transporte em Lisboa.

Durante o próximo ano veremos de que forma serão aplicados estes projectos agora anunciados. O Bicicleta na Cidade prefere esperar para ver os resultados antes de embarcar na euforia dos anúncios de obras que ainda vão ser construídas e levadas a cabo. Até lá continuaremos a nossa linha de actuação: fazer documentário social directamente das ruas da cidade e dar a conhecer os ciclistas e os seus hábitos na Lisboa que temos hoje, sem todas estas facilidades agora anunciadas.


sábado, setembro 20, 2008

África Minha


É sempre um momento especial quando a lista de blogues relacionados com o Bicicleta na Cidade cresce, mais ainda quando se adiciona um país que ainda não estava representado, quanto mais um continente!

O Hugo Jorge iniciou há um mês o The Mozambique Bike Culture Blog e tem publicado fotos e artigos com dados interessantes sobre o uso quotidiano da bicicleta em Moçambique. Escreve em inglês para chegar a um universo maior de leitores, nomeadamente aos vizinhos da África do Sul (embora isto seja dedução minha e não do Hugo) e restantes english speakers around the globe.

Os discursos que se produzem em países desenvolvidos sobre a promoção do uso da bicicleta estão invariavelmente relacionados com a temática do desenvolvimento e do progresso, ainda que alguns não o façam de forma explícita. Nestes países, onde se inclui Portugal, associa-se a bicicleta a uma era pós-automóvel, a um recuperar do espaço público pré-automóvel (agora renovado e modernizado) e a valores ambientais e de saúde como forma de combater doenças associadas ao desenvolvimento, seja a obesidade, problemas respiratórios, entre outras que compõem uma vasta lista.

Estes discursos não são interpretados nem acolhidos com o mesmo sentimento de compreensão em todo o mundo. Ao contrário do que é apregoado por alguns críticos da globalização homogeneizante, todo o produto cultural é alvo de uma filtragem, apropriação e reinterpretação de significado(s) durante a sua viagem do país de origem até ao país de destino. Como tal, a sensibilidade para acolher um determinado tema varia de país para país, entre regiões, cidades e locais diferentes, dependendo de factores como a experiência quotidiana da comunidade, o seu imaginário comum, a religião (ou ausência desta) e a memória colectiva.

Por tudo isto é diferente falar de bicicletas em Portugal e Moçambique, na Índia ou na China. Sobre este último país, hoje escreve-se que o seu estrondoso crescimento económico tem contribuído para um aumento do número de automóveis a circular e a consequente diminuição do número de bicicletas. Um processo idêntico ocorreu por toda a Europa, em momentos diferentes e a velocidades distintas de país para país, sendo que no caso português foi sobretudo durante as décadas de 1980 e 1990 que se assistiu ao boom do automóvel privado e à marginalização do uso quotidiano da bicicleta. Tudo isto ocorreu em nome do progresso e do desenvolvimento, como eram vistos então por governantes e cidadãos.

Para nós europeus, esta associação desenvolvimento=uso privado do automóvel e vice-versa já não faz muito sentido nos dias que correm, especialmente depois de termos experimentando na pele os seus efeitos negativos, ou estarmos ainda a passar por eles (caso português). No entanto, não se pode exigir a quem nunca tenha vivido esta realidade que compreenda a "sensibilidade ambiental europeia" ou outras sensibilidades europeias que tais. A pergunta que deve ser feita é: como desmitificar a ilusão criada ao longo do século XX de que usar o carro é sinónimo de desenvolvimento e a bicicleta não? Desiludam-se os iluminados, pois esta pergunta deve ser formulada em todo o mundo, desenvolvido ou não. O que poderá ser diferente são as respostas a dar-lhe em cada país, região ou cidade. É de esperar, aliás, que assim seja.

No caso de Moçambique, um possível contributo de resposta poderá ser a leitura do livro "Há Mais Bicicletas - mas há Desenvolvimento?" que o Hugo apresenta neste blogue dizendo que se trata de uma visão crítica sobre o desenvolvimento desse país fazendo ainda a ligação ao papel que as bicicletas têm tido nesse processo. O livro foi lançado recentemente e teve cobertura mediática. Como não conheço o seu conteúdo, limito-me a referir a sua existência.


quarta-feira, setembro 10, 2008

Setembro


Avenida Dom Carlos I

De volta do verão, convém esclarecer que esta foto retrata um amolador lisboeta e não um viajante regressado. O Bicicleta na Cidade, apesar do retiro para férias, esteve atento ao que de mais interessante se passou durante a silly season. Não havendo muito por onde escolher, chamou-me a atenção o aumento da criminalidade (ou terá sido o reduzido número de fogos florestais para noticiar que a fizeram aumentar?...), sobretudo aquele que vem sob a forma de car jacking.

(retirado daqui)

Embora o car jacking e a notícia do seu aumento nas cidades portuguesas não seja um exclusivo do verão, como a época é farta em notícias light fui impelido por um menor número de calorias no meu cérebro a procurar histórias relacionadas com bike jacking. O resultado da pesquisa Google condiz com o espírito da época - fácil de digerir, corriqueiro, silly. Além deste cartoon, há também vídeos amadores no Youtube com situações encenadas de bike jacking, todos eles muito fracos do ponto de vista cinematográfico e da própria acção, não devendo sequer ser analisados sob esse prisma. Sem muito por onde escolher, mas cheio de vontade para o fazer, optei por mostrar este vídeo. Trata-se do meu preferido graças à sua capacidade de sintetizar todos os outros sem grandes complicações.



Não era de esperar grande coisa, apenas o suficiente para ficarmos com a certeza de que o bike jacking é uma arte menor. Com isto dou por encerrado o período de férias, antes que comece uma das melhores semanas do ano para quem anda de bicicleta. Costuma ser durante a Semana Europeia da Mobilidade - de 16 a 22 de Setembro - que são anunciados novos avanços nesta matéria, a da mobilidade em geral e da sustentável em particular. O Bicicleta na Cidade dará a conhecer as novidades ao longo dessa semana.


terça-feira, agosto 05, 2008

De férias!


O Bicicleta na Cidade vai de férias até Setembro. Na verdade já estava de férias há quase um mês, só faltou oficializá-lo. A todos os que andam a percorrer o país de bicicleta, boas viagens! A todos os outros, também. Tenham cuidado com a areia da praia na corrente da bicicleta, se desejam prolongar-lhe a vida. Bebam líquidos e evitem o bronze "à ciclista". São estes os conselhos silly para esta season.


sexta-feira, junho 27, 2008

Hugo e a sua Dahon Cadenza

O Hugo Jorge, "companheiro de pedaladas e activista pela promoção do uso da bicicleta e pelos direitos dos ciclistas" como já lhe chamaram no blogue da Cenas a Pedal, está de partida para bem longe de Lisboa. Há tempos tinha enviado para o Bicicleta na Cidade esta foto, uma das muitas com que colaborou neste blogue. No entanto, não encontrei momento mais oportuno do que este para finalmente publicá-la. A sua partida, espera-se, terá um "coro" de ciclistas que irá até ao Aeroporto de Lisboa após a Massa Crítica que se realiza hoje por todo o país e no próprio mundo! O cortejo prepara-se para seguir depois até à Fábrica do Braço de Prata onde às 20h30 começará o debate "Opções de transporte em Lisboa", organizado pela Plataforma de Discussão e Intervenção Ambiental.

Na foto vemos a Dahon Cadenza do Hugo, uma bicicleta que reúne a vantagem de ser dobrável sem ter o inconveniente da roda pequena, comum nestes modelos. Na contraluz da fotografia entrevemos o Hugo e o seu estilo urbano de usar a bicicleta, mesmo em zonas cuja paisagem mais fazem lembrar o campo. Também gostava de saber onde foi tirada a foto, Hugo! Fico à espera de uma resposta.

Boa viagem e um até já!


segunda-feira, junho 23, 2008

Europa Entrevista a Pedais

A rádio mais jazzística de Lisboa e arredores sintonizou a frequência do Bicicleta na Cidade! Afora esta metáfora oportuna, a Rádio Europa vai transmitir na próxima quarta-feira uma entrevista com este indivíduo que aqui escreve.
A jornalista Mónica Peixoto, que edita o programa Europa Entrevista, convidou-me para 40 minutos de conversa em que se falou de bicicletas e pouco mais, embora as conversas sobre bicicletas acabem sempre por ir parar a outro lado qualquer, é uma espécie de metáfora ou desculpa para falar de outras coisas, ou um elemento estético que dá brilho a tudo o resto.

Tomem nota, o programa será transmitido na quarta-feira dia 25 de Junho às 19h05 e repetirá a dose no sábado dia 28 de Junho às 18h05. Em Lisboa sintonizem a frequência 90.4fm, no resto do mundo podem ouvir em directo aqui.


quinta-feira, junho 12, 2008

Como sobreviver ao preço dos combustíveis ou à "seca" das bombas de gasolina - um possível guia prático

(foto retirada daqui)

A greve dos camionistas que bloqueou no últimos dias toda a cadeia de distribuição de alimentos e combustíveis em Portugal e não só, além de provocar os distúrbios "normais" decorrentes dessa mesma situação, veio demonstrar a nossa fragilidade e dependência quer dessas cadeias de distribuição (a logística) quer dos combustíveis que as fazem funcionar. Pior do que isso, só mesmo a dependência daqueles que precisam de usar os combustíveis que essas redes de distribuição levam até às gasolineiras. Ou talvez não. Tirando um par de aviões da TAP, meia dúzia de empresas de estafetagem e uma dezena de motas da Telepizza, a grande maioria dos que "dependem", de facto e não só entre aspas, de gasolina ou gasóleo no dia-a-dia parece ter sido agora apanhada de surpresa. Aos mais distraídos, as boas-vindas! Bem-vindos ao mundo da verdade inconveniente, ao fim do subúrbio como o conhecemos ou, numa frase, sejam extremamente bem-vindos à realidade que algumas pessoas vinham apregoando de há alguns anos a esta parte e quase nunca foram levadas a sério.

Não é meu hábito escrever sobre o uso desmesurado do automóvel nem fazer lobbying por "menos um carro". Eu situo-me antes no lobby por "mais uma bicicleta" o que tem muito em comum com o primeiro, além de que esta minha preferência não significa que não concorde, no essencial, com tudo o que se escreve a denunciar e a sugerir alternativas à mono-modalidade automóvel que tanto se promoveu nas últimas décadas e da qual ainda sobraram alguns resquícios que ficaram por terminar (estou a pensar no novo centro comercial Dolce Vita Tejo na Amadora, com 9 mil lugares de estacionamento automóvel). Em todo o caso, os blogues Menos um Carro e Apocalipse Motorizado são talvez as maiores referências lusófonas em matéria car-free ou "anti-carro", ou ainda "pró-cidades para as pessoas" ou "menos poluição e melhor ambiente", não sei ao certo, sei apenas que ambos falam muito mais de bicicletas nas cidades do que o Bicicleta na Cidade fala de menos carros a circular, daí não me sentir muito à vontade para definir esse outro universo que não é o meu.

Mas a força com que os factos nos vieram bater à porta desta vez (note-se que a vitória da selecção portuguesa sobre a República Checa só foi notícia na segunda parte do Telejornal da RTP) impede-me de ocultar por muito mais tempo a dura realidade da petroleodependência nas nossas vidas enquanto escrevo alegremente sobre como andar de bicicleta na cidade, com flores e tudo...

O panorama é este: aumentam as vendas de bicicletas nos EUA (nos EUA!), discute-se a criação de uma rede de bicicletas de uso partilhado em Lisboa (em Lisboa!!) e não há legumes frescos no supermercado. Será que a culpa deve ser imputada aos impostos sobre os produtos petrolíferos cobrados pelo Estado? Ou aos especuladores? Já se sabe que a culpa vai morrer solteira, mas se ela tivesse efeitos retroactivos eu gostava de poder culpar todos aqueles que usaram a gasolina quando era barata só porque era barata, é graças a esses que hoje nos queixamos dos impostos. Ou então culpar o Estado por não ter cobrado nessa época impostos mais elevados de forma a reduzir o impacte da pilhagem aos subsolos do médio oriente, entre outros; é graças ao(s) Estado(s) dessa Europa que hoje nos queixamos do preço dos combustíveis.

Seja como for, a bicicleta é um meio de transporte eficaz para uma série de deslocações quotidianas e possui também alguma capacidade de carga, como se pode ver na imagem acima. Para andar de bicicleta não é preciso haver ciclovias nem vias cicláveis nem estacionamento próprio para bicicletas. Embora tudo isso ajude, também não são precisas auto-estradas para se andar de carro, nem parques de estacionamento gigantes (sobretudo em Lisboa, uma vez que se permite usar indiscriminadamente os passeios para tal).

O Bicicleta na Cidade promove, como disse, "mais uma bicicleta" e não "mais uma via ciclável". Nesse sentido, toda a informação útil aqui disponibilizada serve para ajudar todos aqueles que se querem iniciar nas duas rodas em Lisboa e têm dúvidas sobre como fazê-lo. É por isso que a informação está vocacionada para as características desta cidade, porque é possível usá-la aqui desde que se saiba como. Aprender a lidar com o tráfego motorizado é um desafio facilmente ultrapassável com a prática, a experiência e a perseverança necessárias. De resto, e para quem estiver interessado, há um novo serviço prestes a surgir na cidade - Cursos de Condução de Bicicleta pela Cenas a Pedal.


segunda-feira, junho 09, 2008

Uma semana quente e descansada

Avenida da República

Nada melhor que uma semana com dois feriados e a temperatura de verão a começar em Lisboa para festejar o Santo António. A semana que começa hoje é por isso uma ode ao descanso e à boa vibe dos dias de verão, mesmo que vá trabalhar.

Naturalmente se associa a bicicleta às zonas balneares de Portugal onde costumávamos passar férias, ou outras que não fossem no rectângulo, ou outras ainda que não eram balneares. Para muitos será também essa a memória que têm dos momentos das suas vidas em que mais andaram de bicicleta. Na verdade, o nosso mapa mental diz-nos:

BICICLETA = férias = calor = praia OU campo OU coisa que o valha = boa disposição = - stress + sexo = felicidade OU o que quer que isso seja.

Andar de bicicleta em Lisboa é, portanto, como trazer o campo para a cidade, a Costa da Caparica e o Meco para a margem norte, os melhores dias do ano para o nosso quotidiano. Não me refiro àqueles que detestam as férias por serem o período do ano em que têm de aturar os putos e ainda o resto da família. Para esses, a bicicleta deve ser apenas "aquela coisa que eu vou ter que pôr no tejadilho do carro antes de me ir embora".

Uma boa semana!

sexta-feira, maio 30, 2008

Farto dos aumentos dos combustíveis? Anda de bicicleta!

Foto: JP Esperança


Esta sexta-feira, vem
descobrir o prazer e a liberdade de pedalar na cidade.
Uma forma de te deslocares muito mais saudável e económica.


Vem aprender como é possível trocar o carro pela bicicleta com outros ciclistas das cidades de Lisboa, Aveiro, Coimbra e Porto.

Hora: 18h00

* Aveiro - Início de encontro na Praça Melo Freitas (perto do Rossio)

* Coimbra - Concentração no Largo da Portagem, junto
à estátua do Mata
Frades.

* Lisboa - Concentração na Marquês Pombal, no início do Parque Eduardo VII.

* Porto - Concentração na
Praça dos Leões.

Para mais informações:

http://www.massacriticapt.net/

Não é todos os meses que coloco um post a anunciar/relembrar a realização dos passeios da Massa Crítica, mas perante este e-mail que recebi do Hugo Jorge não podia deixar de o fazer. Vale a pena ver mais fotos do João Paulo Esperança no seu Flickr e blogue - Ílhavo Daily Photo.

Outra grande novidade é a estreia de mais uma cidade no roteiro nacional de passeios da Massa Crítica. De Trás-os-Montes vem a cidade de Chaves, que convocou o ponto de encontro para as 18:00 de hoje, sexta feira, no Largo General Silveira, em frente aos Correios, Biblioteca e Liceu.
Como sou um admirador da cidade flaviense e dos seus deliciosos pastéis, assim como de toda a região de Trás-os-Montes, além de desejar a melhor sorte para os impulsionadores da Massa Crítica local não resisto a juntar esta foto de uma viagem que fiz de Montouto (aldeia raiana em pleno Parque Natural de Montesinho a apenas 4km da fronteira com a Galiza) para Chaves, precisamente.

quarta-feira, maio 28, 2008

Seminário: "A bicicleta na cidade de Lisboa: contribuição para a implementação e promoção do uso da bicicleta como meio de transporte urbano"


Convite

Seminário

Venho convidar para a próxima sessão do seminário do NEANT, que terá lugar na quinta-feira, 29 de Maio, às 11:00, na sala C201 – Edifício 2 do ISCTE, para apresentação e discussão de uma comunicação de Ricardo Sobral sobre

"A bicicleta na cidade de Lisboa: contribuição para a implementação e promoção do uso da bicicleta como meio de transporte urbano", tema do seu estágio de conclusão da licenciatura em antropologia (FCSH-UNL), realizado na Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta (FPCUB).


Um pouco de auto-promoção

O NEANT, Núcleo de Estudos Antropológicos do ISCTE, convidou-me para apresentar o trabalho que realizei entre os meses de Março e Setembro de 2007 na FPCUB, para conclusão da licenciatura de Antropologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, FCSH-UNL. O projecto de estágio que apresentei visava estabelecer um possível contributo entre a antropologia aplicada e o universo das associações, dos movimentos, organizações e indivíduos que promovem a utilização da bicicleta como meio de transporte.

Sendo eu próprio um utilizador de bicicleta na cidade de Lisboa desde Janeiro de 2004, propus-me trabalhar esta temática recorrendo aos conhecimentos que fui acumulando ao longo dos últimos 4 anos, à experiência no terreno e aos contactos que mantenho com outros ciclistas e organizações. Assim, a escolha deste tema para a realização do estágio foi o culminar de um processo, mais vasto, de 3 anos e meio de participação, observação e maturação.

A escolha da FPCUB para acolher este projecto foi indubitável, já que se trata da única instituição em Portugal, formalmente constituída, que se dedica à utilização não desportiva da bicicleta, incluindo as práticas recreativa (de lazer) e utilitária (como meio de transporte) e porque considerámos que a antropologia poderia dar o seu contributo específico à actividade desta instituição. Durante o estágio, decidi focar-me apenas na utilização da bicicleta como meio de transporte na cidade de Lisboa, excluindo outros usos e locais.

Este trabalho é também a razão pela qual o Bicicleta na Cidade esteve praticamente inactivo entre os meses de Novembro e Fevereiro últimos, período em que estive a redigi-lo, a defendê-lo e a fazer-me à vida como qualquer recém-licenciado. Tenho neste momento em preparação um paper que fará a síntese do trabalho académico que entreguei e cuja nota final atribuída foi de 19 valores (agora sim! Isto é auto-promoção ;) e conto disponibilizá-lo online aqui no Bicicleta na Cidade. Novidades a breve trecho!

Eis a sinopse da apresentação que farei no NEANT:

Numa área que tem recebido contributos de diferentes disciplinas, como a engenharia e a arquitectura, este trabalho vem acrescentar uma perspectiva das ciências sociais, nomeadamente da antropologia, à discussão de soluções e estratégias de implementação e promoção do uso da bicicleta como meio de transporte urbano. Assim, partiu-se para o terreno em busca de dados concretos sobre a utilização da bicicleta em Lisboa, através de entrevistas realizadas aos ciclistas actuais e da recolha dos seus percursos diários casa-trabalho ou casa-escola. Os resultados obtidos permitem-nos fazer uma caracterização dos utilizadores de bicicleta actuais e compará-la com a realidade de outros países, assim como perceber quais as necessidades sentidas, as maiores dificuldades e as soluções prioritárias apontadas por quem, já hoje, circula de bicicleta na cidade. Numa fase pós-investigação, discutem-se as vantagens e possibilidades que este tipo de levantamento de informação no terreno pode ter na adopção de políticas – locais, regionais e a nível nacional – de incentivo ao uso da bicicleta.