Este artigo faz parte de um conjunto de textos sobre as Ecopistas de Portugal – projecto para o desenvolvimento de caminhos para bicicletas e peões através do aproveitamento de linhas ferroviárias desactivadas – servindo como base para uma análise mais aprofundada do potencial destas infraestruturas. Discute-se o seu uso do ponto de vista da bicicleta e não ferroviário.
Casas, campos agrícolas e um acesso privilegiado
Chegando
à estação de comboios de Guimarães, esperava encontrar algum vestígio da linha
que até 1986 dali partia em direcção a Fafe. A estação fora entretanto
substituída por uma nova, construída mais à frente, terminando agora numa
parede de betão atrás da qual um parque de estacionamento automóvel e uma
rotunda separam a moderna infra-estrutura de um terreno verde de erva pujante, onde
só a ausência de edifícios deixa imaginar que por ali, em tempos, terá passado um
comboio.
A
Ecopista de Guimarães faz parte do Plano Nacional de Ecopistas criado em 2001
pela então REFER Património, gestora da rede ferroviária, agora denominada IP
Património. O plano foi criado “tendo em vista a requalificação e reutilização
das linhas e canais ferroviários sem exploração”, pode ler-se no site da
empresa, onde o trajecto entre Guimarães e Fafe é anunciado como parcialmente
concluído – de um total de 21 quilómetros, pouco mais de 14 estão finalizados.
Entrada pelas traseiras
No
posto de turismo da cidade que foi a primeira capital do país explica-se como
chegar ao local onde a via começa. Os mapas disponíveis para oferecer aos
visitantes estão circunscritos a uma zona mais central da cidade e o guia
precisou de recorrer a um exercício de imaginação para me ilustrar o que
faltava do caminho. Perguntei o que tinha acontecido à parte da linha que saía
da estação e atravessava a cidade antes de começar a subida à Penha. “Já não
existe”, foi a resposta dada num tom simpático, como é tudo aqui.
A
Penha é o nome do monte que os primeiros quatro quilómetros de linha
serpenteavam para alcançar o seu topo, cerca de 150 metros acima da estação, deixando para trás a cidade e, ao mesmo
tempo, proporcionando uma vista panorâmica sobre ela. Um artigo publicado na revista Ilustração Portugueza aquando da inauguração da linha em 1907, dá conta
do que se podia observar à época:
Sae esta nova linha da estação de Guimarães
agarrando-se ao magestoso monte da Penha, encimado com a estatua de Pio IX e um
pittoresco hotel, e, durante quatro kilometros, sempre subindo, vae-nos
mostrando soberbos panoramas que se estendem desde a cidade de Guimarães até às
alturas do Sameiro. Rodeado um contraforte do monte da Penha, entra-se então no
extensissimo valle de S. Torquato.
Vista para o Vale de São Torcato
Hoje,
este troço do percurso faz-se por uma alternativa menos sonante, a antiga
Estrada Nacional 101, que foi transformada nas ruas Padre António Caldas e da
Cruz da Argola depois de construída a sua variante. Tem a vantagem de encurtar
a distância e os senões de ser mais íngreme e de ter trânsito motorizado pouco
afeito à partilha com ciclistas. A vista até pode ser boa mas a falta de
sinalização que indique o início da ecopista e o movimento rodoviário constante
convidam pouco à contemplação. A primeira indicação da “pista de cicloturismo”
aparece somente para assinalar a saída desta estrada, voltando a surgir a
partir daqui sempre que é necessário mudar de direcção. Quando em recta, mesmo
passando por rotundas e outras junções, não há qualquer placa indicativa, o que
só aumenta a ansiedade do ciclista durante a subida... ter-me-ei enganado no
caminho?
É
nas traseiras de uma fábrica do sector têxtil que se entra na ecopista,
assinalada com um pórtico metálico de dimensão um tanto ou quanto exagerada,
como que tentando devolver o prestígio a algo importante, sem dúvida, que porém
se esconde nas traseiras de uma fábrica. Rapidamente se esquece tudo isto
quando se olha para o vale que preenche a paisagem à esquerda.
Chamar-lhe “pista” adequa-se, mas não devia
A
construção desta linha de comboio tornou-se viável financeiramente após uma
revisão do traçado que permitiu eliminar dois túneis inicialmente previstos. O
plano nunca concretizado era, a partir de Fafe, fazer a ligação com as linhas
do Tâmega e do Corgo, aproximando o Minho e Trás-os-Montes, até à cidade de
Chaves.
Após
o encerramento do serviço ferroviário, a Câmara Municipal de Fafe foi a
primeira a converter o canal em pista de cicloturismo, como lhe chamam na placa
que assinala a sua inauguração em 1996. Seguiu-se-lhe o município de Guimarães,
três anos depois, que a completou até ao local onde ainda hoje principia.
Em
bom estado de conservação está o asfalto, que é acompanhado por uma linha
branca que percorre todo o trajecto, um traço continuo que dificilmente cumpre
a função de proibir a transposição da via de circulação porque, numa faixa com
estas características, tal regra é desnecessária e até contraditória desde logo
porque é partilhada por ciclistas e peões, recomendando ultrapassagens com
alguma distância lateral. Uma despesa em tinta que poderia ser poupada sem que
a segurança dos utilizadores fosse afectada.
Nalguns
troços vemos rails de protecção lateral iguais aos das autoestradas, estes sim
uma ameaça à segurança dos ciclistas. O que é bom para os automobilistas, como
estes são, pode transmitir uma falsa sensação de segurança a quem tem o corpo
exposto em caso de embate ou queda e estes rails, que deveriam ser almofadas,
são antes facas sem gume.
Rail de protecção lateral e pórtico
Cruzamento com uma estrada
Um trabalho realizado pela Universidade do Minho em 2001 aponta todos estes pormenores, colocando
a tónica na segurança dos ciclistas e na sua fruição do percurso – aspectos que
se interligam, obtendo-se um por via do outro. No artigo são referidas medidas
que permitiriam transformar este canal num verdadeiro corredor verde, o que,
apesar de algumas melhorias, ainda está por concretizar. Percebe-se que a
escolha das protecções laterais teve como principal preocupação impedir o
acesso de veículos motorizados à ecopista mas, conspicuamente, todos os
equipamentos obedecem a uma linguagem rodoviária e não de ciclovia, como também
é notado nesta passagem:
Estes elementos estruturantes (...) não
devem reflectir o aspecto, dimensões, ou tipo de material usados
standardizadamente nas estradas. Deve-se implementar uma imagem própria à
ciclovia (...). A título de exemplo, as velocidades inerentes a velocípedes
justificam sinais de menores dimensões, que não têm que ser de tão rápida
percepção como a sinalização de estrada.
Tudo
isto se torna pouco importante quando se olha em volta a vista imensa. É, todavia,
justamente esse o motivo que deve orientar a escolha de soluções, permitindo
uma distracção segura e desejável em vez de iludir na segurança ou fantasiar
com estradas como as dos automóveis, como se as vias para bicicletas fossem uma
brincadeira infanto-juvenil. Nunca foram.
Estação de Paçô Vieira, concelho de Guimarães
Estação de Cepães, com esplanada, concelho de Fafe
O que pode ser melhorado
A
remeter para algum outro imaginário que não o de uma via para ciclistas e
peões, a ecopista deverá valorizar o património ferroviário e relembrar ao
viajante a história deste canal e o porquê dele existir. Dificilmente se
cortariam montanhas e fariam taludes, túneis e pontes como aqui se fosse para
criar de raiz um corredor verde. Esta via e o seu suave declive existem porque em
tempos passaram por aqui comboios fumegantes.
Ciclovia do Parque da Cidade, Fafe
Contudo,
para dar maior coerência a esta via, é necessário prolongá-la em ambos os
sentidos. Se em Fafe a ecopista já tem continuação através de uma ciclovia que
convida a entrar na cidade, penetrando no parque verde até chegar a uma praça
central, poderia daí continuar cumprindo o projecto original de ligar a Chaves
e aproximar o Minho e Trás-os-Montes.
Do
lado de Guimarães, duas opções estratégicas: prolongar a pista até à estação de
comboios pelo troço original e, enquanto isso não é feito, melhorar a
sinalização a partir do centro da cidade. Vamos por partes.
A
primeira impressão com que se fica, olhando para o edificado, é que o canal
ferroviário foi ocupado pela expansão urbana, o que também é sugerido pela
demolição de um antigo apeadeiro nesta zona. Felizmente, olhando atentamente
para a vista de satélite e confrontando-a com um antigo mapa, percebe-se que o
corredor permanece livre, nuns casos abandonado às ervas, noutros transformado
em arruamentos, como é o caso da Avenida Rio de Janeiro. A engenharia do início
do século XX tem tudo para poder voltar ao serviço, proporcionando agora uma suave
subida aos ciclistas.
O troço entre a estação e o início da ecopista em Guimarães, a tracejado. Fonte
De
acordo com as normas de sinalização vertical, uma placa cor-de-laranja, como a que
indica a pista de cicloturismo, refere-se a equipamentos desportivos e estes,
normalmente, existem num lugar concreto, como um hipódromo, um autódromo ou um
ringue de patinagem. Contrariamente a esses equipamentos, esta pista de
cicloturismo une duas cidades por meio de uma via sem tráfego motorizado e isso
deveria estar inscrito na sinalética, com outra cor de fundo e, sobretudo, contendo
a informação da localidade para onde segue e a respectiva distância, fundamental
para quem se desloca de bicicleta.
Uma humilde sugestão gráfica do que pode estar inserido na sinalética
Enquanto esta pista for tratada como um equipamento
desportivo e não como uma via de circulação, ficará por explorar o potencial
turístico e patrimonial que a Ecopista Guimarães – Fafe em si contém. Ligá-la à
estação de comboios trará mais visitantes, desde que devidamente anunciada e
sinalizada, na estrada e nos mapas. Continuá-la de Fafe até Chaves, através de
um corredor verde, deve ser visto como um investimento estratégico e o corolário
de uma ideia com mais de 100 anos.
O maior e mais prestigiado evento global de "bike-culture", e que em 2011 passa por quase 30 grandes cidades globais, fará uma etapa de 3 dias em Lisboa!
A sessão inaugural do BFF terá lugar na próxima Sexta, 30 de Setembro, pelas 21:30, com a exibição do programa "FUN BIKE SHORTS", que integra curtas-metragens com origem em Portugal, Espanha, Canadá, Gana, EUA, Suíça, Sérvia e Brasil.
Logo de seguida, a partir das 23:30, o BFF celebra o 8º aniversário da Massa Crítica, com a dupla de DJ's INTELECTRONIK (aka Pan Sorbe e Señor Pelota), também no Teatro do Bairro.
Ao longo dos 3 dias, serão exibidos cerca de 50 obras celebrando ou inspiradas pela bicicleta. Do programa destaca-se o documentário "WITH MY OWN TWO WHEELS", de Jacob e Isaac Seigel-Boettner, sobre a capacidade que a bicicleta possui para mudar a vida das pessoas, filmado em 4 continentes; "PRO TOWN: GREENVILLE", de Mark Losey, explorando a cidade que mais talentos tem dado à cena internacional da BMX; e uma curta de Spike Jonze "MARK ON ALLEN", com o lendário "skater" Mark Gonzales. Destaque também para a curta nacional "O RISCO", de José Pedro Lopes, com uma narrativa que abre portas a um novo género cinematográfico, o "cycle-gore".
Na noite de Sábado, terá lugar a 3ª edição da LX ALLEYCAT, com um inédito itinerário noturno inspirado no jogo "Trivial", e prémios que incluem um exclusivo selim BROOKS! Esta corrida, inspirada nos "bike messengers", e organizada em conjunto com a CICLONE e RODA GIRA, é aberta à participação de todos, com inscrição e comparência pelas 21:00 no Jardim de S. Pedro de Alcântara.
Os vencedores da LX ALLEYCAT serão anunciados na festa que começará a partir das 24:00 no Teatro do Bairro, e que inclui competições BIKESPRINTS, corridas com bicicletas sobre rolos, entre outras surpresas!
Inspirado pelo espírito BFF, o artista PANTONIO personalizou uma bicicleta GLOBE ROLL, que estará em exposição durante o Festival, e será leiloada para o projeto BENFICA EM BICICLETA, que desenvolve ações de formação e promoção do uso da bicicleta nos bairros da freguesia.
Sobre Pantonio
pantónio, açoriano, gostava de se chamar sebastião, ter um barco e viajar de porto em porto a pintar em barcos. Gostava de estudar em Vila Nova de cerveira numa escola chamada Escola das Artes. Tem uma bicicleta chamada Jane, de larga rodagem, com quem costuma espiar a cidade à noite à procura de sítios para pintar. Tem pêlos nas pernas e 21.750 kms de pedalada, e a velocidade máxima que contou foram 900 km/h em descanço. Gostava de trair a sua Jane com uma Koga Myata de 1975.
Sobre o Bicycle Film Festival
O BICYCLE FILM FESTIVAL surgiu da vontade inicial de Brendt Barbur, Fundador e actual Director do Evento que, após ter sido atropelado por um autocarro enquanto pedalava pelas ruas de Nova Iorque, decidiu transformar o seu doloroso acidente numa experiência positiva para si e para os outros. Barbur deu início ao BICYCLE FILM FESTIVAL em 2001, e desde então este afirmou-se como o maior evento global celebrando a bicicleta pela música, arte e cinema. O BICYCLE FILM FESTIVAL tem sido um poderoso catalisador do ciclismo urbano, e uma das mais relevantes forças culturais emergentes da última década. O BFF assume este legado, e propõe-se alargar o seu impacto benéfico a um número crescente de participantes e cidades em todo o mundo.
Preço dos ingressos 3,5€(cada sessão) ; 20€(passe BFF - inclui acesso para todas as sessões de cinema, festas e LX ALLEYCAT; desc. 40% na aquisição de t-shirt oficial!) - disponível em www.bilheteiraonline.pt
Chama-se "Portugal. The Man" e é uma banda de indie rock experimental (entre outras nomenclaturas que se encontram internet adentro). É do Alasca (Wasilla) mas está sedeada em Portland. Esteve no Festival Paredes de Coura este ano, naquela que foi a sua primeira vinda a Portugal. O país.
Na Wikipédia inglesa diz-se que o nome deriva do seguinte:
The band's name is based on the idea of David Bowie's "bigger than life" fame. They wanted the band to have a bigger than life feel but didn't want to name it after one of their members.
"A country is a group of people," guitar player and vocalist John Gourley explains. "With Portugal, it just ended up being the first country that came to mind. The band's name is 'Portugal'. The period is stating that, and 'The Man' states that it's just one person." The name has more personal meaning as well: Portugal. The Man was going to be the name of a book that Gourley had planned to write about his father and his many adventures.
Chegam ao Bicicleta na Cidade por causa do vídeo da canção "Everyone is Golden" que faz parte do seu último álbum, "The Satanic Satanist". A única versão que consegui encontrar é apenas um preview de 44 segundos, suficientes para me agradar.
Para quem conhece a realidade ciclista de Portland (para quem não conhece basta dizer que é recente e pujante) o vídeo não surpreenderá mas tão-pouco é essa a intenção. Trata-se apenas de um vídeo bonito de uma música interessante de uma banda com um nome curioso...
Publicidades à parte, uma bicicleta chama-me à atenção. Não é por acaso que faço este blogue e, porquanto isso implica, não seria de esperar outra coisa que não esta: assim que tive conhecimento da existência de uma bicicleta publicitária defronte à estação de Santa Apolónia através do Paulo Santos fui até lá registá-la.
O potencial publicitário da bicicleta não foi descoberto agora, nem sequer em Portugal onde já se vê disto, pelo menos, desde que apareceram as BUGAS em Aveiro (consulte aqui as condições se estiver interessado em publicitar algo). Fora de portas, eu próprio já o tinha comprovado há uns anos atrás na Dinamarca, nessa altura ainda em jeito de novidade para mim.
Aarhus, Dinamarca (2004)
A bicicleta verde, que se destaca nesta foto quer pela cor quer pelos cartazes nela afixados, anunciava então o festival "Kulturama 04" em frente de um dos edifícios da Universidade de Aarhus, a segunda cidade da Dinamarca. Existem muitas possibilidades para colocar publicidade em bicicletas, umas mais criativas, outras quiçá mais eficazes. Existem até, imagine-se, bicicletas que andam e fazem publicidade ao mesmo tempo!... Note-se, porém, que neste particular não interessará ao agente publicitário evitar que a sua bicicleta-mupi fique rodeada por outras "normais". O importante é marcar a diferença. E, passando agora à publicidade (gratuita), é isso que a Lisbon Calling Hostel parece querer fazer, com bicicletas...
Muito embora o público alvo desta campanha não seja directamente os habitantes de Lisboa, não me parece que esta bicicleta tenha passado despercebida aos que por lá passaram.
De volta do verão, convém esclarecer que esta foto retrata um amolador lisboeta e não um viajante regressado. O Bicicleta na Cidade, apesar do retiro para férias, esteve atento ao que de mais interessante se passou durante a silly season. Não havendo muito por onde escolher, chamou-me a atenção o aumento da criminalidade (ou terá sido o reduzido número de fogos florestais para noticiar que a fizeram aumentar?...), sobretudo aquele que vem sob a forma de car jacking.
Embora o car jacking e a notícia do seu aumento nas cidades portuguesas não seja um exclusivo do verão, como a época é farta em notícias light fui impelido por um menor número de calorias no meu cérebro a procurar histórias relacionadas com bike jacking. O resultado da pesquisa Google condiz com o espírito da época - fácil de digerir, corriqueiro, silly. Além deste cartoon, há também vídeos amadores no Youtube com situações encenadas de bike jacking, todos eles muito fracos do ponto de vista cinematográfico e da própria acção, não devendo sequer ser analisados sob esse prisma. Sem muito por onde escolher, mas cheio de vontade para o fazer, optei por mostrar este vídeo. Trata-se do meu preferido graças à sua capacidade de sintetizar todos os outros sem grandes complicações.
Não era de esperar grande coisa, apenas o suficiente para ficarmos com a certeza de que o bike jacking é uma arte menor. Com isto dou por encerrado o período de férias, antes que comece uma das melhores semanas do ano para quem anda de bicicleta. Costuma ser durante a Semana Europeia da Mobilidade - de 16 a 22 de Setembro - que são anunciados novos avanços nesta matéria, a da mobilidade em geral e da sustentável em particular. O Bicicleta na Cidade dará a conhecer as novidades ao longo dessa semana.
O Engenheiro Paulo Guerra dos Santos está a fazer uma tese de mestrado cujo título/mote é 100 dias de bicicleta em Lisboa e organizou um encontro com utilizadores de bicicleta em Lisboa, no dia em que a equipa de reportagem da SIC que faz a rubrica Terra Alerta o acompanhou na sua jornada diária. O vídeo está bastante bom.
Mas o que me traz aqui à escrita é um outro pormenor que aparece no vídeo. Há duas semanas atrás encontrei no Saldanha dois ciclistas com bicicletas dobráveis e ambos vestidos de fato, como quem acaba de sair do trabalho (o que somado com "Saldanha" é igual a "muito provável"). Este vídeo dá-nos a conhecer o Hugo e João aos 5'15'', que me parecem ser os ciclistas que avistei na rua. Com grande pena minha, na altura estava atrasado e pedalava fulminantemente entre a Av. Fontes Pereira de Melo e a Av. da República, pelo que não consegui fotografá-los.
Graças a este vídeo vou novamente poder tentar apanhá-los num momento quotidiano e como "quem não quer a coisa"...mas fico contente por saber que o Hugo e o João, além de trabalharem em cargos importantes, gostam de mostrar que andam de bicicleta. Óptimo! Precisamos de pessoas vaidosas, seja pelo cargo que ocupam na empresa, pela roupa que vestem ou pela bicicleta que usam. Ou pela preocupação ambiental, ou financeira, ou outra qualquer... Mostrem-se!
Reportagem transmitida na SIC no dia 19 de Outubro de 2007 inSIC Online Cidade com pedalada: Santarém quer pôr jovens a andar de bicicleta Numa altura em que muito se fala da necessidade de reduzir o trânsito nas cidades, há projectos que podem fazer a diferença.
É o caso de uma iniciativa da Câmara de Santarém, que está a promover o uso da bicicleta como meio de transporte junto dos jovens.
O projecto ainda está a arrancar e são poucos os alunos que já se aventuram a pedalar cidade dentro. Está prevista uma acção de formação para alunos e pais na escola de trânsito, que visa ensinar não apenas as regras de trânsito mas também regras de segurança e postura na estrada.
Os responsáveis da escola e da autarquia acreditam que com o tempo, solicitar uma bicicleta será tão habitual como requisitar um livro da biblioteca.
Vasco Krus frequenta o décimo ano da área de ciências e tecnologia e foi um dos primeiros a aderir ao projecto. Cerca de duas semanas depois de iniciado o ano lectivo, o jovem de 15 anos passou a usar a bicicleta todos os dias, para ir a casa à hora do almoço.
Num mês já verificou que a cidade ainda está pouco preparada para quem anda de bicicleta, apesar dos automobilistas terem alguma atenção quando o vêem na estrada.
A coordenar o projecto na Escola Dr. Ginestal Machado está alguém que dá o exemplo. O professor de Física e Química, Luís Rosa, de 48 anos, já subiu três vezes a Serra da Estrela a pedalar, desde a Covilhã até à Torre, e é utilizador habitual da bicicleta para se deslocar ao centro da cidade.
O Conselho Executivo da escola entende este como um projecto educativo dentro do recinto escolar e fora dele. A Presidente Henriqueta Carolo explica que o projecto visa educar os jovens para serem cidadãos numa cidade nova, mais dinâmica.
Segundo dados da comissão europeia, o transporte em automóvel de alunos para as escolas pode representar até 20% de todas as deslocações nas horas de ponta nas cidades.
Para além de travar a poluição e o congestionamento, o objectivo é melhorar a saúde dos jovens, num país onde o excesso de peso já é um problema sério.
A Vereadora da Educação, Lígia Batalha admite que os recreios das escolas têm vindo a encolher com novas construções e que os jovens têm cada vez menos espaço para correr, saltar e pular.
Por cada bicicleta com capacete incluído, a câmara pagou cerca de 90 euros.
Um pequeno investimento, ao alcance de qualquer câmara do país, que certamente terá efeitos muito positivos a médio longo prazo, nomeadamente na saúde pública e na qualidade de vida em Santarém.
Nas outras duas escolas, que receberam 30 bicicletas cada, os velocípedes são usados em contextos diferentes. Numa, os alunos utilizam as bicicletas para se deslocarem ao complexo aquático localizado nas proximidades; noutra, os alunos usam as bicicletas às quartas-feiras à tarde para realizarem visitas de estudo aos monumentos da cidade.
Inicia-se aqui uma nova categoria no Bicicleta na Cidade. A bicicleta como objecto de arte, a arte e a bicicleta, ou simplesmente a fetichisação do objecto - o valor social que lhe atribuímos. Tudo terá lugar neste espaço. Acreditamos que o simbolismo da bicicleta, e a forma como é usado e manipulado em diferentes trabalhos artísticos, cria uma identidade e estética próprias, assim como a sua presença no espaço público e a diversidade das formas que assume é capaz de alterar profundamente uma cidade e a relação das pessoas com o espaço envolvente. A bicicleta deve ser vista para lá das suas vantagens eminentemente práticas, tal como acontece com os automóveis. Quando se compra um carro, compra-se um estilo de vida, uma estética, um objecto que nos permite muito mais do que viajar. Com a bicicleta passa-se o mesmo, porém com uma diferença: em Portugal, o valor social, o estatuto, que se atribui a um automóvel é superior ao que se associa à bicicleta. Felizmente já não precisamos de viajar muito longe para ver países e cidades onde esta relação se inverte.
O vídeo que se segue é a apresentação de John Burke, presidente da Trek, no "Taipei International Cycle Show", em Março de 2007. John Burke deu uma palestra sobre as novas oportunidades e desafios que se apresentam aos fabricantes de bicicletas. Nos últimos 20 anos, as empresas têm investido a maior parte do seu capital em marketing e no desenvolvimento de produtos tecnologicamente avançados. Não descurando a importância destas duas áreas de investimento, John Burke considera que a grande oportunidade da indústria está em promover um mundo mais amigo da bicicleta - "a bicycle friendly world".
O número crescente de obesos nos Estados Unidos e não só, em parte consequência de hábitos sedentários, os elevados níveis de poluição e congestionamento das cidades, resultante do excesso de automóveis, e ainda o facto de mais de metade da população mundial viver em cidades. São estes os desafios do mundo actual para os quais John Burke considera a bicicleta uma solução simples para um problema complicado:
What we really need to understand is this fact: This is the fastest way you can grow this business and the biggest way that we can have an impact on society. Creating a bicycle-friendly world is a very good thing. The bicycle is a simple solution to a complicated problem.
John Burke diz que agora a indústria ciclista deverá apostar noutros mercados para além do lazer e dos produtos topo de gama, que têm sido a principal área de negócio nos últimos 20 anos. No entanto, observa, para investir na bicicleta como meio de transporte serão necessários recursos financeiros e lobbying, ou "bicycle advocacy". Hoje em dia, as marcas de bicicletas investem muito pouco em campanhas de promoção do uso da bicicleta nas cidades. Este é um negócio em expansão e com uma enorme margem de crescimento, diz-nos o presidente da Trek.
Massa Crítica - ande de bicicleta todos os dias, festeje uma vez por mês Última sexta-feira de cada mês 18h00, Marquês de Pombal Lisboa* www.MassaCriticaPT.net
Ao contrário de grandes cidades europeias – como Amesterdão, Copenhaga, ou mais recentemente Londres ou Paris –, Lisboa continua a passar ao lado de medidas que permitam aos cidadãos usar a bicicleta como meio de transporte. Mas há quem lute por uma nova política de mobilidade sustentável e reivindique o direito a usar a bicicleta na cidade no dia-a-dia, como lhe mostramos no Terra Alerta.
Cada vez mais cidades promovem o uso da bicicleta como meio de reduzir o número de automóveis e a poluição. Em Londres, o número de utilizadores de bicicleta aumentou mais de 80% por cento, nos últimos sete anos. Em Paris, foram criados mais de 300 quilómetros de vias para bicicletas (entre ciclovias e corredores “Bus” alargados onde também podem circular bicicletas). Segundo José Caetano, Presidente da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta, “a classe média-alta do conhecimento e dos meios económicos está a aderir em todo o mundo à bicicleta como forma inteligente de mobilidade”. Dá o exemplo de Munique, onde esteve recentemente num encontro internacional, e onde crianças de 7 ou 8 anos vão para a rua nas suas próprias bicicletas, juntamente com os pais, na hora de maior movimento. José Caetano considera falsa a ideia de que não é possível andar de bicicleta em Lisboa, devido ao acidentado do terreno, e defende a utilização da bicicleta para distâncias curtas na cidade e a intermodalidade com outros meios de transporte, como o comboio, o metro ou mesmo o autocarro.
A SIC acompanhou vários munícipes de Lisboa que usam a bicicleta no dia-a-dia ou que defendem o direito a fazê-lo. Ilídio José, pintor de automóveis, aponta como vantagens a rapidez e sobretudo a facilidade de estacionamento que a bicicleta proporciona na cidade. Ricardo Sobral, trabalhador estudante, mantém um blog na Internet com informações para quem fez a mesma opção de transporte. Agostinho Pereira de Miranda, advogado, entende que é preciso integrar a bicicleta nas políticas de transportes e de ordenamento do território. Todos consideram fundamental alterar o Código da Estrada que continua a considerar a bicicleta um veículo marginal.
Em período de campanha eleitoral em Lisboa, fica o alerta para a necessidade de novas políticas de transporte que reduzam o congestionamento e a emissão de gases com efeito de estufa.
Super heróis somos todos! Ou pelo menos não andaremos longe disso. Mas quem é o verdadeiro herói, afinal? O que prima pela diferença ou o que tem super-poderes? Se for o último abdicaremos de nós próprios. Da nossa capacidade de decidir, fazer escolhas, só ao alcance dos "super-algo". Se for o primeiro seremos perseguidos, enxovalhados, ridicularizados...até ao dia em que a diferença vira norma. Ou talvez não...só podemos estar seguros da nossa própria autonomia.
É bonito pensar assim? Difícil é ser herói. Para os que querem ser diferentes em Lisboa ainda vão a tempo de começar a andar de bicicleta. Ao ritmo a que têm surgido novos ciclistas, porém, rapidamente virarão norma e terão de procurar novas formas, mas já agora continuem com a bicicleta!
A propósito do herói mecânico, aproveito para relembrar que também isso está ao alcance do comum dos mortais. Da lista de sites (ver na barra de links) que ensinam a fazer os mais variados arranjos aconselho o Park Tool, de fácil navegabilidade e muito completo.
O mês de Maio de 2006 ficará para a história da bicicleta em Portugal enquanto meio de transporte urbano. Os média já vinham dando alguma visibilidade ao fenómeno (imprensa escrita e rádio) mas a aparição televisiva continua a ser um momento especial pelo seu reconhecido alcance e penetração.
Porém, apesar do alarido mediático existe ainda muito que terá de ser melhorado na cidade para tornar o uso da bicicleta mais atractivo e possível a todas as pessoas. É preciso reconhecer que as condições estão longe de ser ideais, mas ainda assim não esqueçamos que para andar de bicicleta é preciso pouco mais que...ter uma bicicleta!
Estas reportagens relatam o percurso casa-trabalho de diferentes ciclistas em Lisboa, além de dar conta das suas motivações, reivindicações, dificuldades e desafios que encontram. Através destas reportagens partilham um pouco das suas experiências.
Reportagem 'De Bicicleta para o Trabalho' (SIC - 28 Maio 2006)
Reportagem 'Uso da Bicicleta no dia-a-dia' (RTP - 24 Maio 2006)