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quarta-feira, outubro 01, 2008

Lisbon Calling



Estação de Santa Apolónia, Setembro 2008

Publicidades à parte, uma bicicleta chama-me à atenção. Não é por acaso que faço este blogue e, porquanto isso implica, não seria de esperar outra coisa que não esta: assim que tive conhecimento da existência de uma bicicleta publicitária defronte à estação de Santa Apolónia através do Paulo Santos fui até lá registá-la.

O potencial publicitário da bicicleta não foi descoberto agora, nem sequer em Portugal onde já se vê disto, pelo menos, desde que apareceram as BUGAS em Aveiro (consulte aqui as condições se estiver interessado em publicitar algo). Fora de portas, eu próprio já o tinha comprovado há uns anos atrás na Dinamarca, nessa altura ainda em jeito de novidade para mim.

Aarhus, Dinamarca (2004)

A bicicleta verde, que se destaca nesta foto quer pela cor quer pelos cartazes nela afixados, anunciava então o festival "Kulturama 04" em frente de um dos edifícios da Universidade de Aarhus, a segunda cidade da Dinamarca. Existem muitas possibilidades para colocar publicidade em bicicletas, umas mais criativas, outras quiçá mais eficazes. Existem até, imagine-se, bicicletas que andam e fazem publicidade ao mesmo tempo!... Note-se, porém, que neste particular não interessará ao agente publicitário evitar que a sua bicicleta-mupi fique rodeada por outras "normais". O importante é marcar a diferença. E, passando agora à publicidade (gratuita), é isso que a Lisbon Calling Hostel parece querer fazer, com bicicletas...



Muito embora o público alvo desta campanha não seja directamente os habitantes de Lisboa, não me parece que esta bicicleta tenha passado despercebida aos que por lá passaram.


sábado, setembro 20, 2008

África Minha


É sempre um momento especial quando a lista de blogues relacionados com o Bicicleta na Cidade cresce, mais ainda quando se adiciona um país que ainda não estava representado, quanto mais um continente!

O Hugo Jorge iniciou há um mês o The Mozambique Bike Culture Blog e tem publicado fotos e artigos com dados interessantes sobre o uso quotidiano da bicicleta em Moçambique. Escreve em inglês para chegar a um universo maior de leitores, nomeadamente aos vizinhos da África do Sul (embora isto seja dedução minha e não do Hugo) e restantes english speakers around the globe.

Os discursos que se produzem em países desenvolvidos sobre a promoção do uso da bicicleta estão invariavelmente relacionados com a temática do desenvolvimento e do progresso, ainda que alguns não o façam de forma explícita. Nestes países, onde se inclui Portugal, associa-se a bicicleta a uma era pós-automóvel, a um recuperar do espaço público pré-automóvel (agora renovado e modernizado) e a valores ambientais e de saúde como forma de combater doenças associadas ao desenvolvimento, seja a obesidade, problemas respiratórios, entre outras que compõem uma vasta lista.

Estes discursos não são interpretados nem acolhidos com o mesmo sentimento de compreensão em todo o mundo. Ao contrário do que é apregoado por alguns críticos da globalização homogeneizante, todo o produto cultural é alvo de uma filtragem, apropriação e reinterpretação de significado(s) durante a sua viagem do país de origem até ao país de destino. Como tal, a sensibilidade para acolher um determinado tema varia de país para país, entre regiões, cidades e locais diferentes, dependendo de factores como a experiência quotidiana da comunidade, o seu imaginário comum, a religião (ou ausência desta) e a memória colectiva.

Por tudo isto é diferente falar de bicicletas em Portugal e Moçambique, na Índia ou na China. Sobre este último país, hoje escreve-se que o seu estrondoso crescimento económico tem contribuído para um aumento do número de automóveis a circular e a consequente diminuição do número de bicicletas. Um processo idêntico ocorreu por toda a Europa, em momentos diferentes e a velocidades distintas de país para país, sendo que no caso português foi sobretudo durante as décadas de 1980 e 1990 que se assistiu ao boom do automóvel privado e à marginalização do uso quotidiano da bicicleta. Tudo isto ocorreu em nome do progresso e do desenvolvimento, como eram vistos então por governantes e cidadãos.

Para nós europeus, esta associação desenvolvimento=uso privado do automóvel e vice-versa já não faz muito sentido nos dias que correm, especialmente depois de termos experimentando na pele os seus efeitos negativos, ou estarmos ainda a passar por eles (caso português). No entanto, não se pode exigir a quem nunca tenha vivido esta realidade que compreenda a "sensibilidade ambiental europeia" ou outras sensibilidades europeias que tais. A pergunta que deve ser feita é: como desmitificar a ilusão criada ao longo do século XX de que usar o carro é sinónimo de desenvolvimento e a bicicleta não? Desiludam-se os iluminados, pois esta pergunta deve ser formulada em todo o mundo, desenvolvido ou não. O que poderá ser diferente são as respostas a dar-lhe em cada país, região ou cidade. É de esperar, aliás, que assim seja.

No caso de Moçambique, um possível contributo de resposta poderá ser a leitura do livro "Há Mais Bicicletas - mas há Desenvolvimento?" que o Hugo apresenta neste blogue dizendo que se trata de uma visão crítica sobre o desenvolvimento desse país fazendo ainda a ligação ao papel que as bicicletas têm tido nesse processo. O livro foi lançado recentemente e teve cobertura mediática. Como não conheço o seu conteúdo, limito-me a referir a sua existência.


quarta-feira, setembro 10, 2008

Setembro


Avenida Dom Carlos I

De volta do verão, convém esclarecer que esta foto retrata um amolador lisboeta e não um viajante regressado. O Bicicleta na Cidade, apesar do retiro para férias, esteve atento ao que de mais interessante se passou durante a silly season. Não havendo muito por onde escolher, chamou-me a atenção o aumento da criminalidade (ou terá sido o reduzido número de fogos florestais para noticiar que a fizeram aumentar?...), sobretudo aquele que vem sob a forma de car jacking.

(retirado daqui)

Embora o car jacking e a notícia do seu aumento nas cidades portuguesas não seja um exclusivo do verão, como a época é farta em notícias light fui impelido por um menor número de calorias no meu cérebro a procurar histórias relacionadas com bike jacking. O resultado da pesquisa Google condiz com o espírito da época - fácil de digerir, corriqueiro, silly. Além deste cartoon, há também vídeos amadores no Youtube com situações encenadas de bike jacking, todos eles muito fracos do ponto de vista cinematográfico e da própria acção, não devendo sequer ser analisados sob esse prisma. Sem muito por onde escolher, mas cheio de vontade para o fazer, optei por mostrar este vídeo. Trata-se do meu preferido graças à sua capacidade de sintetizar todos os outros sem grandes complicações.



Não era de esperar grande coisa, apenas o suficiente para ficarmos com a certeza de que o bike jacking é uma arte menor. Com isto dou por encerrado o período de férias, antes que comece uma das melhores semanas do ano para quem anda de bicicleta. Costuma ser durante a Semana Europeia da Mobilidade - de 16 a 22 de Setembro - que são anunciados novos avanços nesta matéria, a da mobilidade em geral e da sustentável em particular. O Bicicleta na Cidade dará a conhecer as novidades ao longo dessa semana.


terça-feira, agosto 05, 2008

De férias!


O Bicicleta na Cidade vai de férias até Setembro. Na verdade já estava de férias há quase um mês, só faltou oficializá-lo. A todos os que andam a percorrer o país de bicicleta, boas viagens! A todos os outros, também. Tenham cuidado com a areia da praia na corrente da bicicleta, se desejam prolongar-lhe a vida. Bebam líquidos e evitem o bronze "à ciclista". São estes os conselhos silly para esta season.


quarta-feira, junho 25, 2008

Para além de Lisboa: Sines e Costa Alentejana

Durante a última escapadela de fim-de-semana tirei estas fotos em Sines que sugerem uma outra paisagem urbana, diferente de Lisboa. Esta cidade, plantada na costa alentejana, exibe alguns utilizadores de bicicleta quotidianos como o que vemos na imagem acima. O estilo casual chic do ciclista combina perfeitamente com o modo confiante e assertivo com que entra na rotunda.

Note-se que a bicicleta está aproximadamente a meio, longe do lado de fora da rotunda, de forma a garantir que é bem visível para os demais, obrigando-os ainda a respeitar o seu lugar. Embora a foto não mostre, o ciclista deixou a rotunda na segunda ou terceira saída, razão pela qual é importante ocupar uma zona mais central desta rotunda, que tem apenas uma via de circulação. Caso o ciclista quisesse virar na primeira saída poderia circular mais junto à direita, mas quando pretende manter-se por mais algum tempo na rotunda é importante reservar o seu espaço e evitar conflitos com os condutores que pretendem sair antes de si. Nas rotundas com mais do que uma via de circulação este princípio mantém-se, ainda que o nível de complexidade seja maior.

Mas Sines e, sobretudo, a costa alentejana não nos oferecem apenas imagens de ciclistas no seu quotidiano. À medida que o verão vai chegando, a maré de turistas que enche o país traz consigo alguns indivíduos que optaram por viajar de bicicleta. A costa alentejana é um paraíso para fazer turismo em duas rodas sem motor, com paisagens, praias e recantos pouco ou nada acessíveis ao automóvel e a outros meios de transporte. É um daqueles segredos que quem já conhece prefere não revelar a muita gente...


segunda-feira, junho 16, 2008

Bicicleta na Aldeia

Esta foto foi tirada algures a norte do Porto, em pleno caminho de Santiago, em 2006. Esteve a ganhar pó numa das infindáveis pastas do computador e decidi publicá-la agora. Uma imagem "típica", se quiserem, da vida nalgumas aldeias portuguesas. É comum encontrar pessoas mais velhas a andar nas suas bicicletas "retro" (segundo os padrões urbanos que aqui usamos) em todo o litoral do país e mais alguns sítios que excluo por ignorância minha. Não deixa de ser um exemplo das coisas boas que o campo nos oferece e que tanto gostamos de tentar trazer de volta para as cidades. Ou então, vendo noutra perspectiva, uma das coisas boas da vida que durante algum tempo quisemos eliminar das cidades.


quinta-feira, junho 12, 2008

Como sobreviver ao preço dos combustíveis ou à "seca" das bombas de gasolina - um possível guia prático

(foto retirada daqui)

A greve dos camionistas que bloqueou no últimos dias toda a cadeia de distribuição de alimentos e combustíveis em Portugal e não só, além de provocar os distúrbios "normais" decorrentes dessa mesma situação, veio demonstrar a nossa fragilidade e dependência quer dessas cadeias de distribuição (a logística) quer dos combustíveis que as fazem funcionar. Pior do que isso, só mesmo a dependência daqueles que precisam de usar os combustíveis que essas redes de distribuição levam até às gasolineiras. Ou talvez não. Tirando um par de aviões da TAP, meia dúzia de empresas de estafetagem e uma dezena de motas da Telepizza, a grande maioria dos que "dependem", de facto e não só entre aspas, de gasolina ou gasóleo no dia-a-dia parece ter sido agora apanhada de surpresa. Aos mais distraídos, as boas-vindas! Bem-vindos ao mundo da verdade inconveniente, ao fim do subúrbio como o conhecemos ou, numa frase, sejam extremamente bem-vindos à realidade que algumas pessoas vinham apregoando de há alguns anos a esta parte e quase nunca foram levadas a sério.

Não é meu hábito escrever sobre o uso desmesurado do automóvel nem fazer lobbying por "menos um carro". Eu situo-me antes no lobby por "mais uma bicicleta" o que tem muito em comum com o primeiro, além de que esta minha preferência não significa que não concorde, no essencial, com tudo o que se escreve a denunciar e a sugerir alternativas à mono-modalidade automóvel que tanto se promoveu nas últimas décadas e da qual ainda sobraram alguns resquícios que ficaram por terminar (estou a pensar no novo centro comercial Dolce Vita Tejo na Amadora, com 9 mil lugares de estacionamento automóvel). Em todo o caso, os blogues Menos um Carro e Apocalipse Motorizado são talvez as maiores referências lusófonas em matéria car-free ou "anti-carro", ou ainda "pró-cidades para as pessoas" ou "menos poluição e melhor ambiente", não sei ao certo, sei apenas que ambos falam muito mais de bicicletas nas cidades do que o Bicicleta na Cidade fala de menos carros a circular, daí não me sentir muito à vontade para definir esse outro universo que não é o meu.

Mas a força com que os factos nos vieram bater à porta desta vez (note-se que a vitória da selecção portuguesa sobre a República Checa só foi notícia na segunda parte do Telejornal da RTP) impede-me de ocultar por muito mais tempo a dura realidade da petroleodependência nas nossas vidas enquanto escrevo alegremente sobre como andar de bicicleta na cidade, com flores e tudo...

O panorama é este: aumentam as vendas de bicicletas nos EUA (nos EUA!), discute-se a criação de uma rede de bicicletas de uso partilhado em Lisboa (em Lisboa!!) e não há legumes frescos no supermercado. Será que a culpa deve ser imputada aos impostos sobre os produtos petrolíferos cobrados pelo Estado? Ou aos especuladores? Já se sabe que a culpa vai morrer solteira, mas se ela tivesse efeitos retroactivos eu gostava de poder culpar todos aqueles que usaram a gasolina quando era barata só porque era barata, é graças a esses que hoje nos queixamos dos impostos. Ou então culpar o Estado por não ter cobrado nessa época impostos mais elevados de forma a reduzir o impacte da pilhagem aos subsolos do médio oriente, entre outros; é graças ao(s) Estado(s) dessa Europa que hoje nos queixamos do preço dos combustíveis.

Seja como for, a bicicleta é um meio de transporte eficaz para uma série de deslocações quotidianas e possui também alguma capacidade de carga, como se pode ver na imagem acima. Para andar de bicicleta não é preciso haver ciclovias nem vias cicláveis nem estacionamento próprio para bicicletas. Embora tudo isso ajude, também não são precisas auto-estradas para se andar de carro, nem parques de estacionamento gigantes (sobretudo em Lisboa, uma vez que se permite usar indiscriminadamente os passeios para tal).

O Bicicleta na Cidade promove, como disse, "mais uma bicicleta" e não "mais uma via ciclável". Nesse sentido, toda a informação útil aqui disponibilizada serve para ajudar todos aqueles que se querem iniciar nas duas rodas em Lisboa e têm dúvidas sobre como fazê-lo. É por isso que a informação está vocacionada para as características desta cidade, porque é possível usá-la aqui desde que se saiba como. Aprender a lidar com o tráfego motorizado é um desafio facilmente ultrapassável com a prática, a experiência e a perseverança necessárias. De resto, e para quem estiver interessado, há um novo serviço prestes a surgir na cidade - Cursos de Condução de Bicicleta pela Cenas a Pedal.


sexta-feira, maio 30, 2008

Farto dos aumentos dos combustíveis? Anda de bicicleta!

Foto: JP Esperança


Esta sexta-feira, vem
descobrir o prazer e a liberdade de pedalar na cidade.
Uma forma de te deslocares muito mais saudável e económica.


Vem aprender como é possível trocar o carro pela bicicleta com outros ciclistas das cidades de Lisboa, Aveiro, Coimbra e Porto.

Hora: 18h00

* Aveiro - Início de encontro na Praça Melo Freitas (perto do Rossio)

* Coimbra - Concentração no Largo da Portagem, junto
à estátua do Mata
Frades.

* Lisboa - Concentração na Marquês Pombal, no início do Parque Eduardo VII.

* Porto - Concentração na
Praça dos Leões.

Para mais informações:

http://www.massacriticapt.net/

Não é todos os meses que coloco um post a anunciar/relembrar a realização dos passeios da Massa Crítica, mas perante este e-mail que recebi do Hugo Jorge não podia deixar de o fazer. Vale a pena ver mais fotos do João Paulo Esperança no seu Flickr e blogue - Ílhavo Daily Photo.

Outra grande novidade é a estreia de mais uma cidade no roteiro nacional de passeios da Massa Crítica. De Trás-os-Montes vem a cidade de Chaves, que convocou o ponto de encontro para as 18:00 de hoje, sexta feira, no Largo General Silveira, em frente aos Correios, Biblioteca e Liceu.
Como sou um admirador da cidade flaviense e dos seus deliciosos pastéis, assim como de toda a região de Trás-os-Montes, além de desejar a melhor sorte para os impulsionadores da Massa Crítica local não resisto a juntar esta foto de uma viagem que fiz de Montouto (aldeia raiana em pleno Parque Natural de Montesinho a apenas 4km da fronteira com a Galiza) para Chaves, precisamente.