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segunda-feira, agosto 20, 2012

Militância Altiva

Texto originalmente publicado no Jornal Pedal nº 4, de Abril 2012. A edição de Agosto já está online e a circular pelas ruas. Esta quarta-feira vai para o ar mais uma emissão do Pedal de Prata, em directo às 22h.
 
Há uns anos atrás, não muitos, os poucos ciclistas urbanos que circulavam pelas ruas de Lisboa sentiam-se estranhos e mal-amados na maioria das lojas de bicicletas. Simplesmente porque tinham a sensação de estar a entrar num espaço onde o valor do seu veículo só encontrava paralelo no preço das barras energéticas ou das câmaras de ar, o que era no mínimo desprestigiante.

É normal, senão inevitável, o ciclista que começa a andar pela cidade tornar-se um militante da causa. Simplesmente porque é difícil ignorar as dificuldades que se lhe colocam a cada pedalada ou mesmo quando, já desmontado da bicicleta, procura estacionamento, apesar de o mobiliário urbano, quando bem explorado, oferecer soluções interessantes. O que não se esperava, à partida, é que este visionário do velocípede fosse alvo de chacota nas lojas que deviam existir para o servir.

À falta de alternativas, e tal como para outros desafios que a cidade exibe, o ciclista urbano aparenta ter desenvolvido uma defesa pessoal com laivos de altivez para enfrentar o ambiente potencialmente hostil que têm as lojas de bicicletas especializadas em vender material desportivo da era espacial. É essa atitude que o reveste de uma camada protectora contra a cavaqueira, a laracha e o desprezo de que pode ser vítima num espaço tão afastado das suas necessidades, que são básicas.

Consegue-se vislumbrar essa altivez quando o ciclista, feito militante, se dirige a quem o atende na loja dizendo: “mas, sabe, este é o meu meio de transporte diário”. Este charuto? Poderá pensar o mecânico. Mas a qualidade do material costuma importar-lhe na proporção inversa – menos é mais, pior é melhor – e altivez serve um propósito, senão vários.

O que o militante altivo pretende transmitir com a sua frase-chave é a ideia de que se vê forçado a abdicar de um elemento essencial à vida como água, muito embora, mais do que se tratar de uma forma de pressionar quem o atende a servi-lo depressa, o militante altivo quer acima de tudo deixar claro que ele anda de bicicleta pela cidade e que é de facto naquele chaço que se desloca para ir trabalhar. Isto é militância altiva, a fazer campanha para que as lojas o sirvam melhor, para que o ciclista urbano deixe de se sentir estranho num espaço onde o grama é a unidade de medida oficial, para que lhe vendam peças baratas e para que não tenha que substituir a roda por uma nova sempre que se parte um raio.

Há ciclistas que não dão uma pedalada sem ter a certeza de estar tudo bem afinado e limpo e há quem marimbe tanto para tudo isso que continua a pedalar para lá do razoável, desafiando a longevidade dos materiais. Pelo meio há uma diversidade de graus e combinações possíveis destes dois extremos – o da picuinhice e o do desleixo. O militante altivo pode ser qualquer um desses ciclistas porque o que o distingue é a forma como se relaciona com a bicicleta independentemente do seu valor – é um objecto que vale mais pelo que representa do que pelo que anda, desde que ande sempre.

O militante é altivo porque nada é superior a isso. “Digam as facécias que quiserem sobre mim e o meu veículo, o que eu quero é tê-lo pronto amanhã sem falta porque, sabe...este é o meu meio de transporte diário.”

quarta-feira, maio 23, 2012

Poupem no óleo da corrente e ajudem a salvar as baleias!

Texto originalmente publicado no Jornal Pedal nº 1, de Janeiro 2012. Para recordar, aqui com fotos ilustrativas, no dia em que sai o nº 5 e vai para o ar a segunda emissão do programa de rádio Pedal de Prata, em directo às 22h. Um jornal em expansão, de facto.

Quero explicar-vos como se pode melhorar a performance da bicicleta poupando dinheiro e contribuindo ao mesmo tempo para um planeta mais limpo e fofinho, a começar pela nossa própria bicicleta. É uma técnica win/win onde nada nem ninguém sai a perder, excepto o nosso ego caso goste de armar ao pingarelho. As baleias, se falassem, agradeceriam.

A corrente de transmissão (vulgo, corrente da bicicleta) é a primeira vítima do aspirante a mecânico mas também do ciclista incauto ou até hipocondríaco com a “saúde” da sua bicicleta. Basicamente é a cobaia perfeita para os nossos primeiros impulsos experimentalistas. No momento em que decidimos fazer algo para melhorar a performance da nossa bicicleta, sendo que isto acontece normalmente quando nos fartamos de estar sempre e só a limpar e puxar brilho à dita, optamos invariavelmente por despejar óleo na corrente. Literalmente “despejar”, mesmo que seja em várias ocasiões e não de uma só vez. Falo na primeira pessoa do plural porque passamos todos por isso, nós os amantes da bricolage. Faz parte! Além disso compreende-se a escolha, quase obsessiva, pela corrente. Para alguém que deseja começar a mexer na bicicleta além do paninho húmido e da cera para puxar o brilho, sistemas como os travões e as mudanças são aparentemente demasiado complexos e o bom senso recomenda a estarmos quietos, porque sabe que podemos deixar as coisas pior do que estão.

Não querendo correr esse risco, pensamos: o que posso então fazer? Corrente! Lubrificar a corrente! Tal acção, note-se o entusiasmo nos pontos de exclamação, deixa-nos satisfeitos. Tudo parece inofensivo e convincente de que estamos a fazer bem à bicicleta. Bom, estaremos antes de mais a fazer bem à indústria petroquímica consumindo excessivamente os seus produtos, depois estaremos a ajudar a indústria das bicicletas e por último, sim, a fazer bem à bicicleta. Mas não à nossa.

Excesso de óleo na corrente faz com que toda e qualquer poeira que paire no ar fique lá colada. Muita poeira junta forma uma camada escura, negra, pestilenta e muito desagradável. Quem diz poeira podia dizer pior: grãos de areia, cabelos, todos os detritos que por aí andam e que, juntos numa pasta que cobre a corrente e se acumula por onde ela passa, só contribui para o seu desgaste. Basta pensar nos grãos de areia a serem moídos entre a corrente e a roda dentada, grão a grão...lá se vai a corrente.

Como mecânico, são muitas as vezes que recebo bicicletas de clientes onde é difícil distinguir os elos da corrente entre si, de tão cobertos que estão por uma camada espessa de merda. Nesses casos, o que faço é despejar uma boa quantidade de desengordurante e deixá-lo actuar um pouco para depois começar a remover as camadas em excesso. É um trabalho moroso e sujo, uma espécie de arqueologia da corrente. Assim que nos livramos da sujidade e conseguimos ver a corrente tal qual ela é, devemos perguntar-nos: será mesmo necessário voltar a lubrificá-la? Nem sempre é necessário fazê-lo, uma vez que a camada em excesso que se acumula à superfície protege o óleo que envolve o interior dos elos. É uma decisão que deve ser ponderada com algum cuidado e conhecimento de causa, mas para quem gosta mesmo de pôr óleo na corrente à desgarrada, então, o procedimento a seguir deve ser: 1) limpar a corrente o melhor possível; 2) colocar óleo novo e; 3) sempre, mas sempre passar um pano para remover o excesso. Caso contrário não tardará a salpicar de pintas pretas a roda traseira, algo muito desagradável para quem gosta de ter a bicicleta limpa, assim como a roupa.

Convém ainda limpar todos os locais por onde a corrente passa – desviadores, pedaleira, roda livre (ou fixa) – para ficarmos com o trabalho bem feito. Acreditem, se querem perder tempo a tratar da vossa bicicleta, isto é tarefa para vos deixar ocupados durante uma bela tarde de fim-de-semana. Importantíssima informação a reter: limpem o excesso de óleo sempre depois de o aplicar, é suposto a corrente ter um aspecto “seco” e não empapado em óleo, caso contrário não tardará a ficar outra vez como descrito acima.

Não é recomendável pôr óleo novo em cima de óleo velho e sujo, eu faço-o por preguiça apenas quando a corrente já chia por falta de lubrificação, na minha bicicleta claro. É esse o sintoma ao qual devem estar atentos. Se a corrente começar a chiar (algo que dificilmente acontece a quem insiste afogá-la em óleo) está na hora de limpar e lubrificá-la de novo, mas não confundam o chiar da corrente propriamente dita com o ruído provocado pela fricção desta com os desviadores, nesse caso é só sinal de que a mudança está mal metida.

Mau exemplo... cortesia bez_uk
Bom exemplo... cortesia bostonbiker.org
Very Dirty Bike Chain

quinta-feira, março 29, 2012

BIKE.POP#1 no POP.UP - GUIMARÃES 2012

Tal como publicado no site POST - Cooperativa Cultural

De 31 de Março a 1 de Abril, a Capital Europeia da Cultura acolhe a cultura da bicicleta no âmbito da iniciativa POP UP, que visa animar Guimarães através da recuperação e valorização de espaços desocupados – comerciais e outros – cedidos temporariamente pelos vimaranenses.

O projecto chama-se “Pop Up Spaces” com o qual se pretende dinamizar as indústrias culturais e criativas, fomentando o desenvolvimento económico da região e posicionando Guimarães como uma cidade de referência no panorama europeu.

No próximo fim-de-semana, será a vez do Mercado Municipal de Guimarães transformar-se num Mercado Pop Up, que acolherá o evento BIKE.POP, promovido pela Cooperativa POST, em parceria com a AVE - Associação Vimaranense para a Ecologia.

Mercado Municipal de Guimarães
"Numa série de acções relacionadas com a cultura urbana e a mobilidade, haverá espaço para música, literatura e filmes ligados à cultura da bicicleta. Num espaço onde se explora de forma transversal o mais ecológico dos meios de transporte urbano, será ainda possível efectuar um “check-up” gratuito aos veículos."

A programação inclui dois workshops gratuitos: Condução de bicicleta na cidade- Nível 1 (para quem pretenda aprender mais sobre como circular na estrada em segurança e com confiança) e Mecânica para utilizadores. Poderão efetuar a inscrição para os workshops aqui.

Convidam-se ainda todos os vimaranenses e visitantes a participarem na Massa Crítica, e a juntarem-se à festa que logo a seguir terá lugar no mercado, em frente ao BIKE.LOUNGE.

No Domingo, a AVE promove um descontraído passeio pela Cidade, com saída do Mercado a partir das 11:00, seguido de "bike-nic" em local aprazível. Não se esqueçam da merenda!

BIKE.POP | Mercado Municipal de Guimarães
Bike Lounge | 31.3.2012 e 1.4.2012 | 10:00 - 18:00
Workshop Condução de Bicicleta na Cidade | 31.3.2012 | 14:30
Workshop Mecânica | 1.4.2012 | 14:00

terça-feira, março 20, 2012

Cursos para utilizadores de bicicleta: condução e mecânica

Em Março voltam a Benfica os cursos de condução de bicicleta,  organizados pela Cooperativa POST. A nova temporada traz novidades na oferta lectiva, com cursos de mecânica simples para o dia-a-dia e para o viajante. Ideal para quem pretende viajar de bicicleta este verão!

Além da mecânica, que na última temporada fazia parte integrante dos cursos de condução, há também novos níveis de ensino: o nível zero "aprender a andar de bicicleta" e o nível avançado de "condução de bicicleta na cidade", onde os ciclistas aprenderão a circular em vias de tráfego intenso, como sejam avenidas e rotundas multi-vias.

Os cursos são dirigidos a todas as pessoas que pretendam usar a bicicleta com maior frequência, autonomia, conforto e segurança nas suas deslocações quotidianas e/ou em viagens. A coordenação é da minha responsabilidade, enquanto mecânico profissional e instrutor de condução de bicicleta certificado pelo National Standard britânico, grau conferido pelo Cyclists’ Touring Club do Reino Unido.

Vejam mais informação sobre os cursos, datas e inscrições nos links que seguem abaixo. O primeiro dia é já este sábado dia 24, com os cursos "aprender a andar de bicicleta" e o nível 1 de "condução de bicicleta na cidade".


Dirigido a todas as pessoas que não sabem andar de bicicleta e desejam aprender. Noções básicas de como usar a bicicleta, como equilibrar-se, como iniciar a marcha, curvar e parar em segurança. Pretende-se ensinar quem nunca andou de bicicleta a fazê-lo num ambiente seguro, discreto e usando uma metodologia eficiente que permite atingir os objectivos em poucas horas.

Através de aulas teóricas e práticas de iniciação à condução de bicicleta no trânsito, pretende-se dotar os participantes com conhecimentos que lhes permitam usar a bicicleta e a circular na estrada em segurança e com confiança. Pretende-se igualmente motivar as pessoas para esta opção.

Dirigido a todos os utilizadores de bicicleta independentemente da distância que percorram ou frequência com que a usam. O objectivo deste curso é ensinar os participantes a resolver problemas mecânicos com poucas ferramentas, nomeadamente as mais comuns. Identificar e solucionar problemas mecânicos que possam surgir antes, durante e depois de uma viagem de bicicleta. Este curso é pensado na óptica do utilizador e não da mecânica profissional, pelo que se privilegiará o uso das ferramentas mais comuns e universais mas também soluções inventivas que possam solucionar os problemas identificados. Ideal para quem pretende fazer uma viagem longa em bicicleta – cicloturismo.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

A livraria de viagens também para ciclistas

Para quem viu o filme Notting Hill sabe que uma livraria de viagens pode ser um local tão interessante ao ponto de ser gerido por um Hugh Grant e visitado por uma Julia Roberts. Não está longe da verdade, a ficção. As sócias Ana Coelho e Dulce Gomes abriram recentemente um espaço tão agradável quanto interessante, que inclui um café do viajante com ementa a condizer. Sendo uma livraria dedicada a viagens, não podia deixar de ter uma secção gastronómica. Foi, de resto, graças ao apelo dos sabores de outras paragens que entrei na livraria Palavra de Viajante e fiquei a conhecê-la melhor.

A razão desta notícia aparecer aqui no Bicicleta na Cidade é porque nesta livraria encontram uma secção dedicada a viagens que serve, precisamente, para tirarem a bicicleta da cidade. Esta é muito provavelmente a primeira e única livraria de Lisboa a dedicar um espaço aos ciclistas viajantes. Mais do que meritório, isto é uma visão de futuro!
 
À conversa com Ana Coelho numa das mesas do café, fiquei a saber que este projecto surge do gosto das sócias pela literatura, por viagens e pela literatura de viagem. Queriam abrir uma livraria com um pequeno espaço de café, o que além de providenciar outra fonte de receita, a par dos livros, dinamizaria o espaço da livraria. Conseguiram-no em finais de Outubro mas não exactamente como esperavam.

Como nestas coisas de andar à procura do espaço idealizado somos sempre surpreendidos com possibilidades não antes imaginadas, a Palavra de Viajante acabou por assentar arraiais na Rua de São Bento nº 30 numa loja com cozinha a sério, daquelas que a ASAE aprova, o que lhes abriu a possibilidade de servir almoços com um menu diferente todas as semanas e jantares de grupo mediante marcação.

Num mundo dominado pela internet e grandes superfícies, “abrir uma livraria generalista não faz sentido no pequeno comércio”, diz Ana, mas antes oferecer um produto diferenciado em lojas com conceitos mais específicos, até porque no comércio de rua “as pessoas procuram outra vez o contacto com quem está do outro lado do balcão”. No fundo, a Ana e a Dulce gostam de viajar, criaram um espaço ao seu gosto e medida e são óptimas conselheiras nessa matéria, a da literatura de viagem.

Indagava-me como se terão lembrado de incluir uma secção de bicicletas na livraria. Quando começaram à procura de livros pareceu-lhes lógico incluir de início mapas com percursos para bicicletas mas também literatura inevitável como o Diário da Bicicleta de David Byrne. Depois, “há secções que surgem com sugestões de clientes”, diz Ana. Interessei-me por essa abordagem, onde o cliente assume um papel na selecção da casa. Eu próprio fui convocado pela Ana para recomendar livros assim que lhe falei do meu interesse pelas bicicletas e de como seria interessante dar a conhecer esta livraria aos ciclistas da cidade.

As sócias Ana e Dulce não sabiam da existência de grupos de incentivo e promoção do uso da bicicleta e no entanto já estão a dar o seu contributo ao criarem uma secção bike specific. Depois, vieram as sugestões dos clientes entre as quais uma que me chamou à atenção: um guia de viagem com o título La Costa Portuguesa en Bicicleta – Del Guadiana al Miño por el Litoral Portugués, edição de autor por José Ignacio Idígoras Santos que o próprio terá sugerido vender na livraria quando passou por lá. A julgar pela quantidade de portugueses que encontrei o verão passado a viajar de bicicleta pela costa alentejana, talvez este seja um guia essencial para o cicloturista português.

Durante a conversa que tive com a Ana, fiquei também a saber que os lisboetas são neste momento os grandes consumidores dos guias desta cidade. É verdade, fiquei alegremente estupefacto, tal como a Ana. Aparentemente vive-se um “vá para fora cá dentro da cidade” que está a levar os lisboetas (estamos a falar de portugueses que vivem em Lisboa) a comprar guias em português: “O guia Lisbon Walker [com sugestões de percursos a pé pela cidade] tem vendido mais na edição portuguesa do que na inglesa e não estávamos à espera disso”.

Seja para conhecerem melhor Lisboa, o país ou o mundo de bicicleta, a pé, comboio e até de carro, visitem esta livraria que fica na parte “esquecida” da Rua de São Bento, uma paralela à Avenida Dom Carlos I. Façam as vossas sugestões e recomendações bibliográficas, dedicadas às bicicletas mas não só, e ajudem a Palavra de Viajante a encher as estradas nacionais com cicloturistas. Este verão haverá Massa Crítica pelo país inteiro!

Livros recomendados:
Danube Bike Trail, from Passau to Vienna, edição Verlag Roland Esterbauer. Mapa dos percursos de bicicleta ao longo do rio Danúbio, sugestão de Ana Coelho depois de ela própria ter feito esta viagem.

La Costa Portuguesa en Bicicleta – Del Guadiana al Miño por el Litoral Portugués, José Ignacio Idígoras Santos, edição de autor.

Cyclepedia A Tour of Iconic Bicycle Designs, Michael Embacher, Thames & Hudson.

Fotos: Veera Moll (obrigado!)

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Jornal Pedal - o novo periódico gratuito

Mais um projecto a ganhar vida! Este não ficou anos a estagiar em nenhuma gaveta. O Jornal Pedal é uma publicação gratuita cujos custos são assegurados pela publicidade. Para o primeiro número, lançado a semana passada, contribuíram com textos de opinião várias pessoas do universo ciclista lisboeta, entre as quais esta pessoa que está aqui a pressionar no teclado.

O jornal fala por si, eu sou um apreciador da sua qualidade e potencial, por isso escuso-me a fazer grandes comentários. Leiam-no em papel ou na versão online, aqui embutida mais abaixo. Criem a vossa opinião e partilhem-na! O Jornal Pedal só terá a ganhar com isso.

Um dos aspectos que ainda assim quero realçar é a sua orientação editorial. O Jornal Pedal não é apenas um jornal da comunidade para si própria, é feito pela comunidade para o mundo e tem como objectivo apelar ao público que ainda não usa a bicicleta como meio de transporte urbano. Esta orientação é em tudo convergente com a postura deste blogue desde a sua criação, pelo que só posso tecer-lhe elogios. É importante mostrar ao mundo como se faz, sem altivez nem arrogâncias de sermos, nós os ciclistas urbanos, donos e senhores da razão e da moral por escolhermos aquilo que nos parece ser uma forma superior de mobilidade e de inteligência (ups!... lá está, a arrogância à espreita).

terça-feira, janeiro 17, 2012

Inquérito a utilizadores de bicicleta sobre escolhas de percursos em Lisboa

A Rosa Félix é uma ciclista experimentada em Lisboa e estudante de mestrado no Instituto Superior Técnico. Está neste momento a fazer a sua tese subordinada ao tema "Gestão da Mobilidade em Bicicleta - necessidades, factores de preferência e ferramentas de suporte ao planeamento e gestão de redes" e para isso disponibilizou um inquérito online aos utilizadores de bicicleta em Lisboa.

Conhecendo a Rosa, eu diria que responder a este inquérito é um favor que os ciclistas fazem a si próprios.

O inquérito está disponível até dia 10 de Fevereiro. 5 a 10 minutos é quanto baste para responder: http://www.inqueritobicicleta.pt.to/

sábado, novembro 26, 2011

Sinal dos tempos

in Público, sexta-feira 25 de Novembro 2011

Foquemo-nos nesta imagem. Esqueçamos por momentos o ambiente que a rodeia - a greve geral de quinta-feira 24 de Novembro. Que não se dê importância aos sintomas de uma mudança latente, senão por demais evidente, quando no jornal se lê que "muitos dos que decidiram não fazer greve optaram por dar corda aos sapatos: foram a pé, de bicicleta, de skate e até de patins em linha". Parece-me exagerada a descrição, mas também isso pouco interessa. O contraste desta citação com outras de greves passadas, onde o recurso ao táxi e ao automóvel privado era descrito como solução para a falta de transportes públicos, é um sinal da mudança dos tempos.

Por vezes fica-nos a sensação de que a narrativa já está escrita antes mesmo da notícia ter sido produzida ou, até, dos factos que a sustentam terem acontecido. A notícia faz o acontecimento, o acontecimento não garante que se faça a notícia.

Ontem foi notícia que as bicicletas, os skates e os patins em linha substituíram os transportes públicos. Aparentemente, os táxis e os automóveis privados deixaram de ser solução. Desapareceram. Da notícia, entenda-se. Numa guerra de números de adesão à greve entre Governo e sindicatos, a notícia opta por eliminar qualquer número da sua leitura. Não interessa quantos táxis e automóveis nem quantas bicicletas.

Por isso foquemo-nos na imagem e esqueçamos por momentos o ambiente que a rodeia, já que nada podemos tomar como garantido pelo que nos é dado a ler.

Vemos três bicicletas no mesmo plano. Em Entrecampos, no final da ciclovia do Campo Grande. Para quem está atento às ruas, sabe que momentos como este vão acontecendo com maior frequência em Lisboa. Seria possível captar este "momento Kodak" há apenas alguns anos atrás nesta mesma cidade?

Assumindo que o fotógrafo Rui Gaudêncio não perdeu a manhã toda à espera de ciclistas, elogio-lhe este trabalho por captar o espírito do tempo actual. O que fica desta imagem, o que Roland Barthes poderia chamar o studium desta foto, é a evidência de haver mais bicicletas a circular em Lisboa. Hoje.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Agenda ciclista para o Outono/Inverno 2011-2012

Esta semana marca definitivamente o início da época de chuva. Os ciclistas de Lisboa não têm razões de queixa este ano dado o atraso significativo com que chegou o mau tempo, olhando para os padrões locais. Mas há várias razões para continuar a pedalar durante este Outono/Inverno!
Imagens como esta, até para o ano...

Já não é novidade para ninguém que, de ano para ano, o número de ciclistas em Lisboa vem aumentando. Tem sido assim ao longo da última década, pelo menos. Mas este facto não tira relevo algum aos sucessivos recordes que se bateram nesta Primavera/Verão de 2011, entre os quais se destaca a maior Massa Crítica de sempre realizada em Lisboa, com mais de 400 participantes. No dia-a-dia, só quem andou muito distraído poderá não se ter dado conta do incrível número de ciclistas a circular pela cidade, a todas as horas. Por mais que assistamos a um progressivo aumento de bicicletas em Lisboa todos os anos e que isso já não seja nada de novo, a verdade é que 2011 marcou provavelmente o início do boom que transformará esta cidade por completo. Não me lembro de assistir a um salto quantitativo tão grande como o deste ano.

Os novos colectivos e lojas que surgiram nos últimos meses dão expressão a esse aumento de ciclistas e à euforia que se vive em torno da bicicleta. Destaques para a Matilha Cycle Crew, que a par da estética apurada que aplica em tudo quanto faz, realizou um (primeiro) cycle brunch e uma Alleycat Race com direito à estreia exclusiva do documentário Fixation em Portugal. Esta Matilha tem vontade de mudar o mundo (palavras minhas, não deles) que se pode ver pela vontade de fazer acontecer coisas, várias, mas coisas com impacto e passíveis de motivar toda a gente à sua volta. Daí o nome Matilha ser, até agora, uma excelente e apropriada escolha.

Ao nível do bike business, a Primavera/Verão que agora acaba viu nascer mais uma loja, online por enquanto, que é fruto do trabalho de alguém que começou a andar de bicicleta em Lisboa e entusiasmou-se tanto que acabou por criar a Roda Gira. Histórias como estas tocam-me muito especialmente. Aos ciclistas, que também são consumidores, o meu conselho é: confiem sempre em alguém que 1º) começou a andar de bicicleta; 2º) entusiasmou-se; 3º) decidiu fazer algo com esse entusiasmo que servisse também os outros. Ninguém terá mais vontade de vos servir bem, enquanto clientes, que pessoas realmente envolvidas e implicadas na cena ciclista urbana. Se procuram bicicletas single-speed e fixed gear, a partir de agora podem contar também com a Roda Gira.

Gostava de poder falar mais sobre um outro novo espaço, o Rent a Fun situado entre os Bacalhoeiros e o Jardim do Tabaco. Ainda não o visitei mas há muita gente a gostar deles no Facebook. Alugam bicicletas eléctricas e têm serviço de oficina.

Finalmente, a Cenas a Pedal passou a ter um espaço em metros quadrados e não apenas Gigabytes! Fica na Avenida Álvares Cabral nº 38, onde também passaram a organizar nos últimos sábados de cada mês a Feira de Bicicletas Maduras, basicamente o primeiro mercado de rua em Lisboa dedicado à compra, venda e troca de material de bicicletas. Mais recentemente, começaram a ter sessões de cinema a seguir à feira, o Bicinema.

Para último deixei a Cicloficina dos Anjos porque merece o destaque da conclusão. A funcionar desde Março no espaço do RDA, esta Cicloficina inovou desde logo por tornar semanal o que até então se fazia em Lisboa apenas uma vez por mês e conseguiu com isso criar uma dinâmica nunca antes vista. Este é, sem dúvida, o espaço de encontro semanal da comunidade ciclista lisboeta. A colaboração com o RDA permite que haja cerveja, vinho e jantares vegetarianos a acompanhar o que se vai fazendo na oficina. Fazia falta um local de convívio assim e pessoas disponíveis para o dinamizar. A elas, especialmente, o meu obrigado.

Fica aqui um pequeno resumo de outras novidades e actividades já agendadas para este Outono/Inverno:

- The Pumpkin Ride - Alleycat race, 2ª feira 31 de Outubro no Cais do Sodré, organizada pela Matilha Cycle Crew.

- Bike Polo no ringue de patinagem do jardim do Campo Grande, todas as quartas-feiras à noite.

- Fertagus passa a permitir o transporte de bicicletas a qualquer hora, em qualquer sentido.

- Nova revista! B - Cultura da Bicicleta, nas bancas dia 2 de Dezembro.

quarta-feira, setembro 28, 2011

Bicycle Film Festival Lisboa 2011

Com filmes, festas, provas BIKESPRINTS e corrida LX ALLEYCAT

O BICYCLE FILM FESTIVAL ARRANCA

NA PRÓXIMA SEXTA, NO TEATRO DO BAIRRO!




O maior e mais prestigiado evento global de "bike-culture", e que em 2011 passa por quase 30 grandes cidades globais, fará uma etapa de 3 dias em Lisboa!

A sessão inaugural do BFF terá lugar na próxima Sexta, 30 de Setembro, pelas 21:30, com a exibição do programa "FUN BIKE SHORTS", que integra curtas-metragens com origem em Portugal, Espanha, Canadá, Gana, EUA, Suíça, Sérvia e Brasil.

Logo de seguida, a partir das 23:30, o BFF celebra o 8º aniversário da Massa Crítica, com a dupla de DJ's INTELECTRONIK (aka Pan Sorbe e Señor Pelota), também no Teatro do Bairro.

Ao longo dos 3 dias, serão exibidos cerca de 50 obras celebrando ou inspiradas pela bicicleta. Do programa destaca-se o documentário "WITH MY OWN TWO WHEELS", de Jacob e Isaac Seigel-Boettner, sobre a capacidade que a bicicleta possui para mudar a vida das pessoas, filmado em 4 continentes; "PRO TOWN: GREENVILLE", de Mark Losey, explorando a cidade que mais talentos tem dado à cena internacional da BMX; e uma curta de Spike Jonze "MARK ON ALLEN", com o lendário "skater" Mark Gonzales. Destaque também para a curta nacional "O RISCO", de José Pedro Lopes, com uma narrativa que abre portas a um novo género cinematográfico, o "cycle-gore".

Na noite de Sábado, terá lugar a 3ª edição da LX ALLEYCAT, com um inédito itinerário noturno inspirado no jogo "Trivial", e prémios que incluem um exclusivo selim BROOKS! Esta corrida, inspirada nos "bike messengers", e organizada em conjunto com a CICLONE e RODA GIRA, é aberta à participação de todos, com inscrição e comparência pelas 21:00 no Jardim de S. Pedro de Alcântara.

Os vencedores da LX ALLEYCAT serão anunciados na festa que começará a partir das 24:00 no Teatro do Bairro, e que inclui competições BIKESPRINTS, corridas com bicicletas sobre rolos, entre outras surpresas!

Inspirado pelo espírito BFF, o artista PANTONIO personalizou uma bicicleta GLOBE ROLL, que estará em exposição durante o Festival, e será leiloada para o projeto BENFICA EM BICICLETA, que desenvolve ações de formação e promoção do uso da bicicleta nos bairros da freguesia.


Sobre Pantonio

pantónio, açoriano, gostava de se chamar sebastião, ter um barco e viajar de porto em porto a pintar em barcos. Gostava de estudar em Vila Nova de cerveira numa escola chamada Escola das Artes. Tem uma bicicleta chamada Jane, de larga rodagem, com quem costuma espiar a cidade à noite à procura de sítios para pintar. Tem pêlos nas pernas e 21.750 kms de pedalada, e a velocidade máxima que contou foram 900 km/h em descanço. Gostava de trair a sua Jane com uma Koga Myata de 1975.


Sobre o Bicycle Film Festival

O BICYCLE FILM FESTIVAL surgiu da vontade inicial de Brendt Barbur, Fundador e actual Director do Evento que, após ter sido atropelado por um autocarro enquanto pedalava pelas ruas de Nova Iorque, decidiu transformar o seu doloroso acidente numa experiência positiva para si e para os outros. Barbur deu início ao BICYCLE FILM FESTIVAL em 2001, e desde então este afirmou-se como o maior evento global celebrando a bicicleta pela música, arte e cinema. O BICYCLE FILM FESTIVAL tem sido um poderoso catalisador do ciclismo urbano, e uma das mais relevantes forças culturais emergentes da última década. O BFF assume este legado, e propõe-se alargar o seu impacto benéfico a um número crescente de participantes e cidades em todo o mundo.


Sessões de cinema
Teatro do Bairro - Rua Luz Soriano, 63

Estacionamento gratuito para bicicletas!

Preço dos ingressos
3,5€ (cada sessão) ; 20€ (passe BFF - inclui acesso para todas as sessões de cinema, festas e LX ALLEYCAT; desc. 40% na aquisição de t-shirt oficial!) - disponível em www.bilheteiraonline.pt

Mais informações e reservas:
(+351) 927 038 581 | lisboa@bicyclefilmfestival.com | www.bicyclefilmfestival.com/lisbon

quarta-feira, junho 23, 2010

Na América profunda



SKI BOYS - filme exibido no Bicycle Film Festival Lisboa 2009. É um dos meus favoritos!


SKI BOYS from Benny Zenga on Vimeo.

Este ano o festival volta a realizar-se em Lisboa, durante o mês de Outubro. Fiquem atentos às novidades.



domingo, maio 23, 2010

Benfica em Bicicleta - Cursos de Condução e Oficina Aberta


Depois da aposta na construção de vias cicláveis para melhorar a mobilidade em bicicleta, a Junta de Freguesia de Benfica lança agora um projecto inovador que visa aumentar a segurança e o número de utilizadores deste meio de transporte: cursos de condução em estrada.

O projecto “Benfica em Bicicleta” foi desenvolvido em conjunto com a Cooperativa POST, sediada na Freguesia de Benfica, com o objectivo de tornar esta zona da cidade num exemplo de mobilidade sustentável. As infra-estruturas (ciclovias e parques de estacionamento para bicicletas) esperam agora por novos ciclistas que venham dar um novo e decisivo impulso à aposta que esta Freguesia de Lisboa tem feito no uso da bicicleta como alternativa de transporte.

Os cursos de condução serão leccionados por instrutores certificados no ensino de condução de bicicleta em estrada e visam dotar os ciclistas com conhecimentos que lhes permitam usar não só as vias exclusivas a velocípedes mas também as ruas e avenidas, juntamente com o restante tráfego motorizado, de uma forma segura e confiante. Qualquer pessoa a partir dos 10 anos de idade poderá participar.

Além das aulas de condução de bicicleta, o projecto inclui a realização periódica de oficinas abertas onde os participantes poderão aprender a realizar pequenas operações mecânicas, tais como remendar ou substituir um pneu, afinar mudanças e travões. Os mecânicos residentes têm como missão ensinar e ajudar a resolver problemas comuns e de fácil resolução mas também a diagnosticar problemas mais complexos que possam pôr em causa a segurança e o conforto dos ciclistas.

Este é um projecto vocacionado para a aprendizagem de modo a tornar o uso da bicicleta uma opção viável de transporte nas pequenas deslocações quotidianas. Depois da construção das infra-estruturas cicláveis, já existentes na freguesia, o projecto “Benfica em Bicicleta” aposta na formação de novos ciclistas que justifiquem o primeiro investimento. Os participantes neste projecto ficarão mais aptos e motivados a usar bicicleta como meio de transporte e serão também um veículo importante para que outras pessoas presentes nas suas redes sociais, família e amigos, ganhem nova motivação para experimentar.

As aulas de condução de bicicleta e a oficina aberta têm início marcado para Domingo dia 30 de Maio e acontecerão uma vez por mês até Novembro.

Poderá encontrar toda a informação relativa aos cursos no site http://postlisboa.blogspot.com/ e inscrever-se através do e-mail benficaembicicleta@gmail.com.

sábado, maio 22, 2010

Questionário sobre utilização da bicicleta na cidade



Recebemos um e-mail do Raul com o seguinte pedido:

"sou um aluno do Instituto Superior Técnico e, no âmbito da minha tese de mestrado, estou a fazer um questionário sobre os critérios de decisão dos ciclistas na sua escolha de percursos na cidade.
Caso seja possível, pedia-lhe a sua ajuda na divulgação (e já agora no preenchimento :) do questionário. Está on-line em http://www.zoomerang.com/Survey/WEB22AL5PV4JM2 .

Desde já obrigado."

Eu já respondi e gostei do conteúdo, penso que se poderá recolher informação muito interessante para análise!

quinta-feira, março 25, 2010

Alleycat Race Lisboa - a rentrée começa este sábado 27



Uma das poucas imagens que consegui recolher da Alleycat de 28 de Junho 2009...

Abaixo segue a mensagem retirada do facebook do organizador: http://www.facebook.com/camisolaamarela

Sim! É mesmo ele! http://www.camisolaamarela.com/

Este sábado, dia 27 vai haver uma alleycat race nocturna. Como é a primeira do ano, vai ser fácil e até posso dizer onde é o final, pois vai haver uma festa!

É obrigatório levar luzes e o capacete é recomendado. Uma caneta também vai dar jeito.

Quem levar fixed gear ou singlespeed vai ter uma bonificação! Logo há mais hipóteses de ganhar!

Prémios vintage para todos os participação.
O valor da inscrição é de 2.5 pedais!

O início é às 21.30 no café do Jardim da Estrela e o final vai ser no POST na Avenida Gomes Pereira nº 11 - armazém 11 em Benfica. Quem participa tem direito a entrada. Se quiserem convidar alguém para a festa têm que avisar porque a entrada só é feita com guest list!

Apareçam e divulguem.



segunda-feira, março 22, 2010

Benfica na vanguarda - bicicletas, oficina e aulas de condução grátis!



Monsanto - Lisboa

Não é de agora que a Freguesia de Benfica é notícia por ser palco de acções que promovem o uso da bicicleta na cidade. Mas desta vez a notícia torna-se especial por incluir no pacote algo mais do que infra-estruturas (vulgo ciclovias, sinalização vertical e horizontal), que têm concentrado grande parte das atenções e do investimento público relativo às bicicletas.

A Junta de Freguesia de Benfica planeia lançar um serviço de aulas de condução de bicicleta e oficina aberta para a população local. O projecto tem como objectivo facilitar o acesso a este meio de transporte de uma forma pedagógica, dotando os participantes com conhecimentos que lhes permitam usar a bicicleta em meio urbano de uma forma confiante e em segurança.

Além das aulas de condução de bicicleta, leccionadas por instrutores certificados, o projecto inclui a realização periódica de oficinas abertas onde os participantes poderão aprender a realizar pequenas operações mecânicas, tais como remendar ou substituir um pneu, afinar mudanças e travões. Os mecânicos residentes terão como missão ensinar e ajudar a resolver problemas comuns e de fácil resolução mas também a diagnosticar problemas mais complexos que possam pôr em causa a segurança e/ou conforto dos ciclistas.

Este será um projecto vocacionado para a aprendizagem de modo a tornar o uso da bicicleta uma opção viável de transporte nas pequenas deslocações quotidianas. Mais do que construir infra-estruturas cicláveis, que já existem em bom número na freguesia de Benfica, trata-se agora de "construir" novos utilizadores de bicicleta que justifiquem o primeiro investimento. Os primeiros participantes neste projecto ficarão mais aptos e motivados a usar bicicleta como meio de transporte e serão também um veículo importante para que outras pessoas das suas redes sociais, família e amigos, ganhem nova motivação para experimentar.




domingo, março 07, 2010

Produção nacional de bicicletas ameaçada pela China



in Publico.pt

Águeda recusa-se a perder a imagem de marca de "capital da bicicleta", mas corre riscos de assistir ao desaparecimento de algumas empresas

Por Maria José Santana

A situação difícil da Sirla, empresa que dá nome a uma das marcas nacionais de bicicletas mais reconhecidas, é apenas um sinal da crise que afecta este sector em Portugal. A firma fundada em 1965 e sediada em Águeda, município que vem sendo rotulado de "capital da bicicleta", está em processo de insolvência. Mas existem outras empresas do sector a viver dias complicados.

O cenário é confirmado pela própria associação representativa do sector, a Abimota (Associação Nacional das Indústrias de Duas Rodas, Ferragens, Mobiliário e Afins), que garante que o problema não fica a dever-se apenas à conjuntura económica actual, que provocou uma retracção do mercado (quebra de vendas).

A principal ameaça é a "concorrência desleal" que advém dos países asiáticos. Para os dirigentes da Abimota urge avançar com medidas de controlo do dumping no sector, até porque as contas feitas não deixam grande margem para dúvidas.

"Só no dumping comercial estamos a falar de uma taxa de 40 por cento. E não é possível contabilizar os efeitos do dumping ambiental, social e político", traçou Paulo Rodrigues, secretário-geral da Abimota. "Portugal é pouco rigoroso na forma como deixa entrar outros produtos", exemplificou.

A associação que conta com um laboratório de ensaios para certificação dos produtos das suas associadas alerta ainda para a necessidade de separar o trigo do joio em matéria de qualidade. E tal só será concretizável com uma legislação que determine que "uma determinada entidade possa actuar no mercado, seleccionando os produtos que são certificados", defendeu o secretário-geral da associação representativa do sector.

Num estudo elaborado em 2008 pela Direcção-geral das Actividades Económicas é apontado que a produção nacional anual, assegurada por cerca de 30 empresas, ascende a "um milhão de bicicletas, sendo o consumo interno estimado da ordem das 300 mil unidades". Os últimos números conhecidos, relativos ao ano de 2007, apontam para um valor de exportações na ordem dos 150 milhões de euros. A conjuntura actual não é, certamente, tão auspiciosa. A Abimota reconhece existir uma retracção do mercado e fala em várias empresas "em situação difícil", sem especificar quantas.

Paulo Rodrigues não deixa de destacar o facto de o cenário da produção nacional só não ser pior por força da aposta de uma grande empresa francesa (Decathlon) nas empresas portuguesas. "Caso não houvesse esse efeito da Decathlon, a crise no sector podia ser pior", analisa.

A redução da taxa de IVA (hoje nos 20 por cento) aplicada actualmente às bicicletas poderia constituir, segundo os responsáveis da Abimota, uma "medida prática" de ajuda ao sector. "Devia ser uma taxa equiparada à dos ginásios [cinco por cento], uma vez que a bicicleta tem um papel fundamental no bem-estar e na saúde", argumentou Paulo Rodrigues.

Sobreviver via exportação

O cenário de crise no subsector das bicicletas acaba por ser confirmado junto do administrador de duas empresas nacionais reconhecidas, a Órbitra e a Miralago (esta última mais vocacionada na produção de bicicletas para ginásio). Desde 1956 que o empresário Aurélio Ferreira acompanha a evolução da indústria das duas rodas (bicicletas e motorizadas).

"Hoje acompanho o retrocesso, só restando "esqueletos" de fábricas onde outrora, por todo o lado, ao "silvo das sirenes" se seguia o "matraquear" das passadas dos milhares de operários que do sector viviam", lembra o empresário aguedense. E acrescenta: "Águeda, outrora capital das duas rodas, tem somente uma rotunda que simboliza um passado, que foi imenso neste sector. Resta-nos isso."

No caso concreto da Órbita, assume Aurélio Ferreira, a salvação tem sido o facto de o volume de exportação se situar nos 60 por cento. Outro dos "segredos" passa, segundo o empresário, pela constante procura de "nichos de mercado e de produtos de maior tecnologia onde outros têm dificuldade em chegar".


fonte: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/07-03-2010/producao-de-bicicletas-ameacada-pela-china-18942739.htm

É importante notar aqui dois aspectos: Denuncia-se, por um lado, a prática de dumping (explicada aqui) alegadamente levada a cabo pela China e culpa-se essa prática para justificar as dificuldades das empresas portuguesas. Por outro lado, oculta-se a responsabilidade que as empresas portuguesas têm sobre as suas próprias opções estratégicas.

É sem dúvida difícil, senão impossível, querer competir com a China no seu reino: o da produção industrial baseada em mão-de-obra intensiva e barata. Sabendo isto, resta-nos saber reconhecer quando as perdas das empresas são consequência da replicação desse modelo, já gasto e em desuso na Europa, assim como distinguir as empresas portuguesas entre si de modo a não incluir no mesmo saco situações muito díspares.


sábado, dezembro 19, 2009

Bicicleta nos transportes públicos - o passo em frente da Carris



Bicicleta "Amarelo-Carris". Diferente de "Bike Bus" da Carris. Junho 2009

Apesar de já não ser uma novidade no momento em que escrevo, talvez haja ainda muita gente que não conhece o novo serviço da Carris: o Bike Bus. Depois de uma primeira experiência com um serviço tão limitado que o tornava quase impraticável (apenas 4 carreiras de autocarros só acessíveis às bicicletas aos fins-de-semana e feriados), em Agosto a Carris decidiu criar um serviço verdadeiramente útil ao ciclista do dia-a-dia (e não só aos utilizadores de fim-de-semana) disponibilizando o transporte de bicicletas em 6 carreiras de autocarros e (crème de la crème) durante 7 dias por semana!

As carreiras são a 21 (Saldanha - Moscavide Centro), 24 (Alcântara - Pontinha), 25 (Estação Oriente - Prior Velho), 31 (Av. José Malhoa - Moscavide Centro), 708 (Martim Moniz - Parque das Nações) e 723 (Desterro - Algés). Da minha experiência, posso dizer que esta última carreira é uma excelente alternativa para quem mora na zona do Restelo e Ajuda, que são zonas difíceis de alcançar em bicicleta sobretudo depois de um dia de trabalho.

Este novo serviço e os elogios que vários utilizadores de bicicleta lhe têm dedicado é a melhor resposta que a Carris poderia ter dado a este blogue, que ainda há poucos meses fora tão crítico para com a empresa noutro post.

Embora essa crítica diga respeito a outro assunto, que não sei até que ponto foi resolvido pela empresa, eu vejo ainda outras razões para celebrar e elogiar a Carris. O novo site é muito mais funcional e agradável, embora (e voltando à crítica) são precisos alguns minutos ou algumas visitas até ficarmos familiarizados com o formato. Ou seja, eu diria que o site é, mais do que user friendly, um use first, then become friends with. O mesmo pode ser dito de todo o design e simbologia do mapa da rede, também este com algumas melhorias recentes sobretudo ao nível da sua distribuição (alguns autocarros já o têm disponível numa das janelas) e simplificação (várias paragens têm agora um pequeno mapa apenas com as ligações das carreiras que por lá passam).

Nos últimos meses tenho sido um utilizador mais frequente da Carris (por vezes mais frequente do que gostava) e isso tem a ver com o último dos meus elogios: para quem usa Zapping como eu (afinal de contas sou um ciclista a maior parte do tempo e não se justifica pagar um passe mensal) a Carris tem uma enorme vantagem face ao Metro caso a nossa viagem de ida e volta demore menos de uma hora - só se paga uma viagem! Por isso façam as contas ao tempo que vão demorar a ir "tratar daquele assunto"...

Para mais informações sobre as condições de acesso das bicicletas nos transportes públicos de Lisboa, vejam aqui.


terça-feira, dezembro 01, 2009

Um Portugal que vem do Alasca e vive em Portland



Chama-se "Portugal. The Man" e é uma banda de indie rock experimental (entre outras nomenclaturas que se encontram internet adentro). É do Alasca (Wasilla) mas está sedeada em Portland. Esteve no Festival Paredes de Coura este ano, naquela que foi a sua primeira vinda a Portugal. O país.

Na Wikipédia inglesa diz-se que o nome deriva do seguinte:

The band's name is based on the idea of David Bowie's "bigger than life" fame. They wanted the band to have a bigger than life feel but didn't want to name it after one of their members.

"A country is a group of people," guitar player and vocalist John Gourley explains. "With Portugal, it just ended up being the first country that came to mind. The band's name is 'Portugal'. The period is stating that, and 'The Man' states that it's just one person." The name has more personal meaning as well: Portugal. The Man was going to be the name of a book that Gourley had planned to write about his father and his many adventures.


Chegam ao Bicicleta na Cidade por causa do vídeo da canção "Everyone is Golden" que faz parte do seu último álbum, "The Satanic Satanist". A única versão que consegui encontrar é apenas um preview de 44 segundos, suficientes para me agradar.

Para quem conhece a realidade ciclista de Portland (para quem não conhece basta dizer que é recente e pujante) o vídeo não surpreenderá mas tão-pouco é essa a intenção. Trata-se apenas de um vídeo bonito de uma música interessante de uma banda com um nome curioso...



Vale a pena espreitar também: http://www.myspace.com/portugaltheman

segunda-feira, novembro 30, 2009

Resultados da Alleycat Race 4 Science



Com um significativo atraso, devido à indisponibilidade do escrivão de serviço neste blogue, aqui estão os resultados da última Alleycat Race em Lisboa. Esperemos que a próxima Alleycat não se atrase tanto a chegar!...


sexta-feira, novembro 06, 2009

Alleycat Race ADIADA!! - para sábado 14 Novembro



Devido aos efeitos da gripe, a Alleycat Race 4 Science (anunciada neste post) foi adiada para a próxima semana - sábado dia 14 de Novembro.

As nossas desculpas por esta alteração.