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quinta-feira, novembro 05, 2009

Alleycat Race 4 Science - sábado 7 Novembro




É já este sábado que se realiza mais uma Alleycat Race em Lisboa. Esta corrida é organizada em conjunto com os bolseiros do IGC - Instituto Gulbenkian de Ciência - e para eles reverterão os fundos angariados nas inscrições. A Ciclone patrocina este evento. Participem!


quinta-feira, setembro 10, 2009

Bicycle Film Festival Lisboa - já começou!



Começou ontem, quarta-feira dia 09/09/09 a primeira edição do Bicycle Film Festival Lisboa. A "celebração da bicicleta pelo cinema, artes e música" arrancou com a festa de abertura em Alcântara, no By Me. Nos próximos dias Lisboa será uma montra da cultura da bicicleta feita em todo o mundo e dará também o seu contributo local para esse universo. É uma relação recíproca e uma oportunidade para a troca de experiências entre várias cidades.

Lisboa vive desde esta década um crescendo histórico no que toca à utilização da bicicleta em meio urbano e à diversificação dos seus usos - seja em lazer ou como meio de transporte. Esse crescimento encontra par em várias cidades e países do mundo inteiro, locais que tradicionalmente não são conhecidos pela cultura da bicicleta mas que têm vindo a adquirir e a reclamar esse estatuto. Paris, Nova Iorque, Londres, Barcelona são apenas alguns exemplos.

O que torna o aumento global do uso da bicicleta um dos fenómenos mais fascinantes da actualidade é a simultâneidade, diversidade e interconectividade com que acontece. A experiência ganha num determinado local é rapidamente disseminada e assimilada em todo o mundo - é disso exemplo o sistema de bicicletas públicas de Paris (Vélib) que contribuiu para um grande impulso nesse segmento. Lisboa não está excluída deste processo universal e a realização do BFF aqui prova-o. A nossa cidade está no mapa!

Existe uma especificidade lisboeta. Ela forma-se a partir dos investimentos que várias entidades públicas e privadas têm feito para promover o uso da bicicleta e, sobretudo, através da forma como os "novos ciclistas" e toda a população lida com, e reage à presença inequívoca das bicicletas nas ruas. Esta cidade tem uma história para partilhar com o mundo: nós sabemos como tornar Lisboa numa cidade mais ciclável. Essa aprendizagem serve de exemplo para todos. Não querendo descurar o facto de ainda estar muito por fazer, gostava de realçar hoje o trabalho que já foi feito e que vai continuar a transformar a cidade de Lisboa e a forma como vivemos nela.

O Bicicleta na Cidade está metido no festival dos pés à cabeça. Consultem o programa no site http://www.bicyclefilmfestival.com/, apareçam e divirtam-se!


segunda-feira, agosto 31, 2009

AEOLIAN RIDE: 52 PESSOAS, FATOS-BALÃO, PASSEIO DE BICICLETA E ARTE PÚBLICA



Foto: Sean Wilson

Foto: Jessica Findley

10 Setembro 2009 Lisboa, Portugal

LOCAL & HORA: 18h30 Praça Luís de Camões

INSCRIÇÃO GRATUITA & MAIS INFORMAÇÃO EM: www.aeolian-ride.info

O Aeolian Ride é um evento de arte pública gratuito onde 52 pessoas vestem fatos que se enchem com o vento e passeiam de bicicleta por várias cidades em todo o mundo. O Aeolian Ride procura agradar, envolver e provocar entusiasmo nos participantes assim como nos transeuntes. A ideia é criar um evento divertido de arte pública aberto à participação de todos que transforma a paisagem da cidade à sua passagem. Todos os 52 fatos-balão são feitos à mão em nylon e facilmente se enchem de ar a baixa velocidade. Existem três tipos de fato, um em forma de “coelho”, de “balão” e em forma de “gota”.

Inscreva-se hoje no AEOLIAN RIDE, o único passeio de bicicleta do mundo feito com balões de ar

Quinta-feira 10 de Setembro de 2009 em conjunto com o Bicycle Film Festival Lisboa, Portugal. 18h30 na Praça Luís de Camões. Traga a sua bicicleta e amigos! Encha-se de ar! Seja voluntário para tirar fotografias ou filmar o passeio. Inscreva-se no site www.aeolian-ride.info para participar gratuitamente e para mais informações.

Foto: Clayton Harper

O primeiro Aeolian Ride teve lugar em Nova Iorque (04.06.2004). Destacam-se também os passeios em São Francisco, onde se juntou à parada do Bicycle Film Festival (07.10.2004); Cidade do Cabo (20.11.2004); Los Angeles (10.09.2005); Melbourne (11.03.2006); Halifax (10.09.2006); Milão (dia 27.11.2008) e Tóquio (16.05.2009).

Este projecto foi criado pela artista Jessica Findley que trabalha sobre formas curiosas e contagiantes de arte ligada à natureza. Para ver outros projectos da artista visite: www.sonicribbon.com/portfolio/art.html

Fotos com alta resolução do passeio estão disponíveis em: http://www.aeolian-ride.info/presskit.html

Foto: Jessica Findley

O Bicycle Film Festival é uma celebração da bicicleta pelo cinema, artes e música.
É produzido anualmente por uma equipa internacional de entusiastas e pelas células de produção das diferentes cidades, beneficiando do apoio de parceiros e da comunidade ciclística e artística para concretizar os objectivos propostos. Apresenta uma programação dinâmica e transdisciplinar, que visa estimular e inspirar a participação da audiência. O evento realizar-se-à pela 1ª vez em Portugal, em Lisboa, nos próximos dias 9, 10, 11, 12 e 13 de Setembro. Espera-se que – tal como tem acontecido nas numerosas edições já realizadas – contribua decisivamente para a mudança positiva de atitude relativamente a formas alternativas de mobilidade urbana e, em particular, promovendo as vantagens da bicicleta como meio privilegiado de transporte individual.

Contacto: lisboa@bicyclefilmfestival.com


terça-feira, junho 23, 2009

Alleycat Race em Lisboa - domingo 28 de Junho




Não será a primeira, mas esperemos que seja a segunda de muitas! Vejam toda a informação sobre a corrida aqui. O que é, como se faz, como se participa, etc. O Bicicleta na Cidade diz que é bom e recomenda. Participem ou vão lá espreitar.


terça-feira, junho 02, 2009

Reclamação à CARRIS



A gerência do Bicicleta na Cidade recebeu há tempos um e-mail de uma ciclista a expor a sua situação: trata-se de uma utilizadora de bicicleta dobrável que, para evitar a subida acentuada num troço do seu percurso diário, utiliza uma das carreiras da Carris. Este post serve para dar a conhecer o caso desta ciclista que, suponho, não deve ser o único e tenderá a generalizar-se nos próximos tempos.

Uma vez que eu faço questão de publicitar as vantagens da intermodalidade bicicleta + transportes públicos e de divulgar as condições dos vários operadores em Lisboa, empenhei-me a escrever à Carris para obter um esclarecimento sobre as condições para o transporte de bicicletas dobráveis, algo que não está especificado pela empresa. Aqui segue um resumo da história e-mail por e-mail. Se não quiser ler tudo, salte a parte das citações e leia o resumo das conclusões no final.

A queixosa:

«Decidi comprar uma bicicleta pequena, que pesasse pouco, que se dobrasse, assim bem versátil. E consegui uma com apenas 10kg, roda 14, que se dobra toda e tem a possibilidade de ficar bastante pequena. Desta forma, poderia transporta-la nos transportes e ir até eles e até ao trabalho. Trabalho perto do Palácio Nacional da Ajuda e quer saindo na estação de Belém, quer saindo em Algés todos os caminhos são a subir... daí que me convém apanhar um autocarro e fazer um pouco de caminho de bicicleta.
Mas acontece que não conheço muito e gostava que me informassem sobre o transporte deste tipo de objectos nos autocarros públicos da carris. Dizem-me: " bicicletas aqui só aos fins de semana"; "não pode trazer aqui a bicicleta, se aparecer o fiscal a senhora é responsável"; "não pode trazer isso aqui, já viu aquilo ali? (e aponta para um letreiro que se encontrava por cima do lugar do motorista, que dizia que não era permitido transportar bagagens grandes). Quanto mais uma bicicleta!". Comentários deste género deixam-me bastante triste...e desanimada... Mas que hei-de eu fazer?
Não há coerência nos vários transportes. Na CP já não há qualquer tipo de problema e na CARRIS uns motoristas reclamam e outros não dizem nada.
(...) Quer dizer compro eu uma bicicleta bem pequenina para poder andar com ela nos transportes e vou ter que a arrumar como as outras?
Qual é a lei exactamente para o transporte destes veiculos nos transportes públicos?»

O pedido de esclarecimento à Carris:

«acabo de receber uma reclamação de uma cliente da Carris que teve alguns problemas com o transporte da sua bicicleta dobrável nos vossos autocarros. Como saberão, as bicicletas dobráveis, quando dobradas, ocupam o espaço equivalente a uma pequena mala de mão. No entanto, segundo a queixosa, as regras não são claras e estão sujeitas à interpretação dos condutores, permitindo-lhe o acesso nalgumas vezes e vedando-o noutras.
Deste modo, venho assim pedir o esclarecimento das regras da Carris para o transporte de bicicletas dobradas nos seus autocarros de forma a facilitar a escolha aos utentes que queiram fazer viagens partilhadas de bicicleta+autocarro, usufruindo das vantagens da intermodalidade nos transportes.


A resposta da Carris (pelo provedor do cliente):

«Encontra-se legalmente estabelecido (art.º 167º do Regulamento dos Transportes em Automóveis) que no transporte urbano a bagagem deve ser transportada nos lugares adequados e desde que, pelas suas dimensões e natureza, não incomode ou prejudique os outros passageiros ou danifique os veículos.

Assim, o transporte de bagagem de grande dimensão (do tipo volumes ou malas de viagem) não é compatível com a tipologia dos veículos urbanos da Carris e é susceptível de causar prejuízo ou incómodo aos restantes passageiros, nomeadamente no caso de veículos com ocupação significativa.

Assim, nos veículos da Carris apenas deverá ser transportada “bagagem de dimensão reduzida”, a qual deverá ser colocada preferencialmente nos locais a tal destinados (nos autocarros, normalmente sobre a roda da frente esquerda).

A título de referência, deve entender-se por “bagagem de dimensão reduzida” a que tiver as dimensões máximas de 55 x 40 x 20 cm.

A aplicação desta restrição de acesso é particularmente importante junto aos terminais de transporte pesado, particularmente no Aeroporto. Neste local, existem carreiras especialmente vocacionadas para o transporte de passageiros com bagagem: AeroBus (carreira 91) e AeroShuttle (carreira 96).

Esta restrição deverá ser aplicada com a conveniente flexibilidade, nomeadamente em caso de reduzida ocupação dos veículos em que não se verifique risco ou incómodo para os restantes passageiros.

Esta situação é decorrente de inúmeras reclamações de clientes que chegam por vezes a não ter possibilidades de ocupar lugares (bancos), ocupados com bagagem e pondo em causa a segurança de outros passageiros.

Relativamente ao transporte, como bagagem, de uma bicicleta dobrável será necessário perceber para além das características dimensionais que, segundo a informação, não ultrapassam as dimensões de uma pequena mala de mão, se existem outras características que possam pôr em causa a segurança e conforto dos restantes passageiros, tais como partes metálicas salientes.

Sendo objectivo dos condicionamentos ao transporte de bagagem a salvaguarda da segurança e conforto da generalidade dos passageiros, estão transmitidas aos nossos Tripulantes instruções no sentido de aplicarem estes condicionamentos com flexibilidade tendo em consideração a ocupação dos veículos.»

Já leu tudo? Se não, eu resumo: a Carris tem definidas as medidas máximas da bagagem que se pode transportar em qualquer situação (55 x 40 x 20 cm). Para todas as bagagens (e bicicletas) que ultrapassem estas medidas, a Carris deu instruções aos motoristas para serem flexíveis sempre que a ocupação do autocarro seja reduzida.

O problema para os ciclistas ávidos de intermodalidade com bicicletas dobráveis é que a excepção não faz a regra e não se pode contar com a benesse dos motoristas e da empresa numa base diária e muito menos num percurso casa-trabalho que exige horários apertados e pouca margem para "eventualidades".

Se eu fosse júri de um prémio de mobilidade em bicicleta para empresas de transporte teria este factor em conta para atribuir ou não um prémio (ei, espera lá...eu posso criar o meu próprio prémio mobilidade! E oferecer a minha simpatia e reconhecimento em troca). Não basta parecer que se é amigo das bicicletas; abrir uma excepção para as bicicletas dobráveis é sinónimo de ausência de uma política empresarial dedicada ao seu transporte.

Penso que todos os ciclistas compreendem as razões alegadas pela Carris no que respeita à segurança e falta de espaço e todos devemos concordar que a primazia deve ser dada ao transporte de passageiros e não de bagagens - primeiro as pessoas, depois os seus bens. No entanto, esta "flexibilidade" que pode parecer simpática (e é, mas não passa disso mesmo) cria uma espécie de limbo no qual os utentes não podem confiar, ninguém pode planear uma viagem com rigor em função dessa flexibilidade.

A solução, caso a Carris queira ser mais do que uma "entidade simpática" para os utilizadores de bicicleta (dobrável e não só), implicará criar regras claras e menos sujeitas às vicissitudes do dia-a-dia. E isso dá trabalho, ao contrário de abrir excepções quando os autocarros estão vazios, que é fácil. Já fizemos referência no Bicicleta na Cidade a uma solução que a Carris poderá adoptar, que facilita o transporte de bicicletas a qualquer hora - a instalação de suportes exteriores, como estes das imagens abaixo.









sábado, maio 09, 2009

Retro anos 90



Rua Braamcamp

Eis o meu palpite: existe por aí muita bicicleta comprada nos anos 90 que foi remetida para um canto da arrecadação, ou outro lugar menos digno, e que agora começam a ser reabilitadas por muitos dos seus compradores de então ou amigos e familiares que entretanto se apoderaram delas. Isto, claro, com base no que vejo pela cidade nos dias mais recentes - várias pessoas a usar essas bicicletas de montanha com quadros de aço, mudanças de fricção (daquelas que mudam ao sabor do suave desvio do manípulo em vez do mais moderno clique dos sistemas indexados) e travões cantilever.

Foi com uma bicicleta em tudo igual às suas contemporâneas que comecei a fazer as minhas primeiras viagens urbanas, dentro e fora do subúrbio onde vivia. Era uma "Alpestar", que convivia com nomes sonantes à época tais como "Esmaltina" e "IBA", só para referir dois de uma extensa lista. A minha Alpestar azul custara nova 20 contos (100 Euros) e fez-me poupar muitos mais em transportes. Foi ela a minha salvação quando os meus amigos começaram a ter mota, proporcionando-me a alternativa mais rápida para os acompanhar nos seus ruidosos motores de 50 centímetros cúbicos. Hoje agradeço aos meus pais o privilégio de não me terem cortado esse prazer ao proibirem-me de ter uma mota, decisão que na altura me custava muito aceitar.

A minha Alpestar azul ainda existe e permanece na posse da família. O quadro tornou-se pequeno demais para o meu tamanho mas continuo a recomendá-la para circular na cidade. De resto, a década de 1990 foi marcada pela generalização do uso das bicicletas de montanha, que haviam sido inventadas no final dos anos 70, tanto nos modelos menos sofisticados e mais baratos, dedicados ao passeio, como no crescimento da modalidade desportiva que lhes está associada.

Em certa medida, as bicicletas de montanha representaram uma libertação dos constrangimentos inerentes aos modelos de estrada, de ciclocross, às pasteleiras e às BMX, que existiam até então, introduzindo algo novo no campo de possibilidades - uma bicicleta mais robusta, leve e apta para todo-o-terreno. Passados vários anos, vivemos hoje sob um paradigma quase contrário; as bicicletas de montanha dominam na maioria das lojas dedicadas, ofuscando e limitando a oferta de outros modelos a um ou dois exemplares de cada. Mas a situação já foi mais grave e parece começar a inverter-se à medida que cresce a procura por modelos mais citadinos.

Nada disto, porém, afecta o carisma dessas primeiras bicicletas de montanha "tão anos 90". Até porque, quando comparadas com as mais modernas de alumínio, várias suspensões, travões de disco e outros apetrechos, é a sua simplicidade que se sobrepõe aos excessos da ânsia tecnológica.


quarta-feira, abril 15, 2009

A revolução (des)dobrável




Elas andam por aí em número crescente. Como todas as outras bicicletas. Mas contraditoriamente ou não, estas saltam mais à vista. As bicicletas dobráveis têm ganho o seu espaço em Lisboa talvez como resultado de opções meramente práticas: são fáceis de transportar e arrumar, ideais para levar nos transportes públicos, para dentro do escritório, café, restaurante, bengaleiro da discoteca e até (imagine-se!) para levar no carro.

Sejam as suas motivações práticas ou não, a escolha destes ciclistas tem enchido a cidade com uma multiplicidade de formas, cores e estilos que vão do mais clássico ao tecnologicamente mais avançado. O que todas têm em comum é que dobram e dão nas vistas, quiçá numa relação proporcionalmente inversa ao seu tamanho. A oferta nas lojas também tem crescido e há preços para todas as possibilidades.

Por tudo isto, as bicicletas dobráveis são provavelmente o veículo inventado pela humanidade que mais se aproxima do idealizado pela Hanna-Barbera em "The Jetsons" - o transporte fácil de transportar. Aqui fica o meu tributo.



quarta-feira, abril 08, 2009

BnC na Time Out Lisboa



Na passada quarta-feira dia 1 de Abril, saiu na Time Out Lisboa a reportagem sobre o Bicicleta na Cidade! Pessoalmente gostei muito do resultado final da entrevista que dei à Ângela Marques e dou-lhe os meus parabéns pelo texto conciso que escreveu, conseguindo incluir uma grande quantidade de informação em poucas linhas. Bom trabalho!




terça-feira, março 31, 2009

Um pedido de desculpas



A gerência recebeu uma reclamação sobre o texto que acompanha uma das minhas fotos preferidas no Bicicleta na Cidade:



A queixosa é precisamente a ciclista da imagem e não queria deixar passar em branco o sucedido, aproveitando a oportunidade para lhe pedir desculpas públicas e republicar a foto. À parte o tom irónico subjacente ao dito texto, de facto, como alguém escreveu nos comentários desse post, "essa bicicleta é mesmo fantástica, modas à parte, que isso também não interessa para nada..."


quinta-feira, março 19, 2009

Que foi? Nunca viste?!




As palavras nunca chegaram a sair, foi isso que tornou tudo mais interessante. No meio do processo de tentar ser discreto a tirar uma foto vi o meu disfarce arrancado pela força de um olhar de vidro escuro. Suficientemente misterioso para me deixar incomodado, quanto mais não fosse pela inversão da relação vítima-perpetrador. A máquina fotográfica, arma de defesa e arremesso, fez-me provar o seu próprio veneno. E eu gostei!


sábado, março 14, 2009

À sexta-feira, o Marquês de Pombal (e arredores) é das pessoas


Assim foi ontem, sexta-feira 13 de Março, graças à manifestação dos trabalhadores organizada pela CGTP. Um aviso prévio ao leitor incauto: isto não é o relato de um manifestante mas antes de um ciclista que ontem precisou de atravessar a cidade, passando por zonas que foram cortadas à circulação viária, e contou com a inesperada colaboração dos agentes policiais.

As motivações que levaram à dita manifestação e as alterações que esta e todas as outras provocam no trânsito não interessam para o caso. Prefiro dar a conhecer um outro lado visto a partir de uma bicicleta.

Logo no primeiro de três contactos com barreiras policiais, foi-me dito pelo agente que se tratava de uma manifestação (sim é verdade, eu não sabia que ia haver uma...) que se deslocava para a Avenida da Liberdade: "pode seguir com cuidado". A mesma ordem foi-me transmitida nas duas paragens seguintes: "de bicicleta pode seguir, tenha cuidado".

Fiquei a saber desta forma que, independentemente de haver alguma regra escrita que o autorize ou proíba, os agentes da polícia podem ser flexíveis à passagem de bicicletas pelas zonas cortadas ao restante tráfego. Aproveitem!


Eu quero uma avenida só para mim

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Com Chuva: todas as dicas para continuar a pedalar



Este texto não tem como objectivo rogar pragas ao bom tempo nem é uma espécie de dança da chuva! No entanto, se ela surgir por outros motivos que nos são alheios, estas são as nossas recomendações para uma condução confortável, não menos segura e até, quiçá, mais divertida.

Lisboa não se pode queixar do seu clima nem dos níveis de precipitação anual que por aqui se registam. Além disso, quem vive nesta cidade sabe que são mais comuns os aguaceiros fortes mas curtos do que as chuvas que se prolongam dias inteiros. De tal modo que é frequente esperar-se 5 a 10 minutos até que pare de chover para seguirmos o nosso caminho a pé ou de bicicleta.

Assim, é mais frequente andar-se de bicicleta com piso molhado do que sob a chuva. Deve ter-se em atenção as alterações na condução que o piso molhado implica:
  1. Para evitar derrapar quando o piso está escorregadio, não use o travão dianteiro durante as curvas, utilize preferencialmente o travão de trás. Tenha também em conta que a capacidade de travagem da sua bicicleta diminui quando molhada.

  2. Alguns tipos de piso tornam-se particularmente escorregadios quando molhados, como o piso em paralelos, os carris de eléctrico e todas as superfícies metálicas e ainda a tinta de sinalização horizontal. Tenha especial atenção nestas zonas, assim como em estradas com muita água acumulada à superfície.
Os guarda-lamas são a ajuda indispensável para uma condução confortável em piso molhado e sem sujar a roupa. Há vários modelos disponíveis nas lojas adaptáveis a todos os tipos de bicicleta. Normalmente os modelos para bicicletas de montanha são pouco eficazes a evitar salpicos de água para as costas do ciclista ou para a sua cara. Os modelos de guarda-lamas para bicicletas de cidade ou de estrada, que cobrem uma área maior da roda, resultam melhor. Alguns modelos incluem de origem uma pala na extremidade que aumenta a sua eficácia, sendo que muitas vezes esta pode ser adicionada se o ciclista quiser.

Use um saco de plástico, ou qualquer outro impermeável, para cobrir o selim quando estaciona a bicicleta na rua. Este é um pormenor que pode fazer toda a diferença para o nosso conforto nos dias de chuva e evitar surpresas desagradáveis quando queremos chegar secos a algum lado.

Vestuário
Para circular de bicicleta à chuva existem diversas opções de vestuário impermeável mas, como a escolha de cada pessoa depende também de opções estéticas, vamos limitar-nos ao essencial.

É essencial ter uma capa ou casaco impermeável que proteja o tronco, os braços e algo que cubra as cochas (seja uma capa, umas calças ou rainlegs), visto serem estas as zonas do corpo mais expostas à chuva. Para proteger a cabeça deve ter-se cuidado com o uso de alguns capuzes que reduzem a visibilidade lateral e traseira. Existem modelos de capuzes mais sofisticados que incluem uma pala, incomodando e afectando menos a visibilidade do ciclista. Uma boa alternativa é usar um chapéu impermeável.

Os sapatos devem ser impermeáveis ou estar protegidos, existem capas para o efeito mas há também quem use sacos de plástico! Para quem o fizer, tenha atenção à aderência aos pedais.

Por mais tecnologia que exista, usar um impermeável aumenta sempre a retenção de calor do corpo, mesmo nos modelos com sistema de respiração, sendo por isso mais fácil atingir o ponto de transpiração sobretudo se pedalar com intensidade. A condução de bicicleta à chuva exige cuidados redobrados e um ritmo moderado pode ajudá-lo a evitar a transpiração assim como situações de risco.